TOP 10: Heróis que são gays!

Desde o começo, nas histórias em quadrinhos com super-heróis, as principais editoras norte-americanas buscam suavizar as tramas e concentrar em universos fantásticos. Isso começou a mudar no Japão, com seus populares mangás, trazendo para o universo dos seus heróis situações mais reais, problemas do dia a dia, polêmicas que acompanham os leitores no mundo inteiro. Nos anos 90, a mente de roteiristas americanos – preocupados com as baixas vendas – também se abriu para tais assuntos como: drogas, pedofilia, incesto, AIDS e homossexualidade. Mas alguns temas, como personagens assumidamente gays, ainda são tabu na mídia, impressa ou televisiva. Por isto, reviramos o armário e mostramos heróis que assumiram e mostraram ao mundo sua orientação sexual. Mas uma dúvida permaneceu ao final da lista: E o Batman e o Robin? Será que eles são?

10 – Benimaru Nikaido (“King of Fighters”)
O lutador gay integra o “Time Japão”, equipe de protagonistas do game e da série animada homônima. Filho de um japonês e uma americana, Benimaru foi criado no Japão e cresceu como ídolo adolescente, principalmente no que se trata de gingado e beleza. Benimaru não poupa ousadia no seu modo de lutar e vestir. Os fãs dos games de luta devem saber que estamos falando das roupas provocantes deste lutador, que quase sempre exibe a boa forma do peitoral com camisetas apertadas. Em seu lado mais íntimo, descobrimos que ele não vai com a cara dos otakus, nem simpatiza com mulheres, diz que são feias. No mundo dos games, outros personagens apontados como gays são as lésbicas Hana e Rain (Fear Effect), Vamp, que namora um homem em “Metal Gear Solid”, Zangief (Street Fighter), que já foi declarado homossexual pelos seus criadores, e a dupla bissexual Lilith & Morrigan (Darkstalkers).

9 – Rawhide Kid (Rawhide Kid)
Em 2003 a Marvel teve uma idéia no mínimo inusitada, trazer de volta a ativa um velho personagem caubói da editora, que voltou gay aos quadrinhos. Billy Blue, como é conhecido no Brasil, foi criado em 1955 por Stan Lee e Bob Brown e teve sua própria série com mais de 150 edições entre 1960 e 1979. A idéia de tirar o herói do armário veio de Ron Zimmerman, até então conhecido por sua timidez com garotas, sua vida íntima nunca fora abordada desta forma; o marketing incomum soou de mau gosto e logo foi esquecido. No Brasil temos os bons e velhos Rock & Hudson, de Adão Iturrusgarai. Viviam em um mundo literalmente cor de rosa, em meio a bandidos e caras durões. As histórias deste casal de caubóis homossexuais em pleno velho oeste já causaram muita polêmica. Renderam um filme animado e diversas tiras, compiladas em livros de quadrinhos.

8 – Sailor Urano e Sailor Netuno (Sailor Moon)
Nos quadrinhos e na animação de Sailor Moon conhecemos Haruka e Michiru, muito fechadas, as duas não costumam ser vistas com outras garotas. Quando se transformam, respectivamente em Sailor Urano e Sailor Netuno, tornam-se duas lutadoras exímias, e além de parceiras de combate são um casal lésbico. Haruka não poupa seus inimigos com os terremotos de Urano, e a doce Michiru não mede forças com seus maremotos de Netuno. No entanto, quando estão a sós, são extremamente doces e carinhosas em belas cenas de amor. Já que estamos falando de animês e mangás, ainda no Japão contemporâneo encontramos os simpáticos Touiya e Yukito, dois colegas de sala que não escondem o companheirismo que vai muito além da amizade. O amor de Touiya faz-lo sacrificar seu poder mágico para salvar Yukito, em uma das cenas mais lindas de “Sakura Card Captors”.

7 – Violeta e Moça-Relâmpago (Legião dos Super-Heróis)
A Legião dos Super-Heróis da DC Comics é o maior grupo no mundo dos quadrinhos, tem o mais numeroso número de integrantes ativos com mais de trinta heróis. Nos anos 90, o autor Keith Giffen tentou criar polêmica e levou temas mais “sérios” e “adultos” aos quadrinhos. A série é ambientada no Século XXX, apresenta então um casal lésbico formado pelas heroínas Violeta e Moça-Relâmpago. O ato pegou muitos fãs de surpresa, já que a homossexualidade feminina é tabu ainda maior que a masculina no mundo dos heróis de quadrinhos. Como deu certo, logo então surge um novo casal. O herói Transmutador descobriu que sua namorada, uma policial, era na realidade um homem que tomava uma droga para alterar seu sexo; mesmo após descobrir a verdade, os dois rapazes continuaram seu relacionamento. E se estamos falando de personagens lésbicas do universo DC não podemos esquecer da Batwoman que reapareceu recentemente nos quadrinhos assumindo sua homossexualidade. De dia ela é uma rica socialite judia e a noite vira a Mulher Morcego para proteger Gothan City dos bandidos. O detalhe é que a personagem voltou com namorada e tudo.

6 – Estrela Polar (X-Men)
O primeiro super-herói homossexual da Marvel Comics foi Jean-Paul Beaubier, o Estrela Polar. O jovem com poder da velocidade é integrante do grupo canadense Tropa Alfa, foi uma pessoa amarga e egoísta até assumir sua sexualidade na revista “Alpha Flight 106”. Criado por John Byrne nos anos 80, foram muitos os elementos que sugeriam sua opção sexual. Com a saída de Byrne da série, a Marvel tentou disfarçar a questão revelando que o herói era um elfo e não homossexual. Os leitores se revoltaram e nos 90, a direção da editora fez o mutante revelar sua preferência sexual. Ainda no universo mutante, Colossus, de “X-Men Ultimate” (versão moderna dos heróis), deu várias pistas ao longo da série de que era gay e a fim de Wolverine. Mas logo esqueceu esta paixão platônica e assumiu um namoro com Estrela Polar. Além disso, Mística e Sina mantinham uma relação lésbica implícita na história, segundo seu criador Chris Claremont.

5 – John Constantine (Hellblazer)
Arrogante, negligente e enganador, assim podemos definir John Constantine, protagonista na revista Hellblazer, publicação do selo Vertigo da editora DC Comics. O personagem, criado por Alan Moore, foi até parar nas telas dos cinemas, interpretado por Keanu Reeves. O mago inglês se declarou bissexual na edição 51 da revista. Revelou que já teve namorados em tempos passados e que, durante as histórias de “Ashes and Dust in the City of Angels”, seduziu um rapaz como parte de suas investigações. Outro personagem da linha adulta da DC que saiu do armário e se declarou bissexual foi Starman III, que já beijou um homem em seus quadrinhos. Mikaal Tomas veio para a Terra nos proteger da invasão de seus antigos contemporâneos, no entanto passou anos perdido até ser encontrado por Jack Knight. O herói sempre declarou que o amor não possui distinção de gêneros.

4 – Extraño (Novos Guardiões)
O primeiro herói homossexual da DC Comics foi Extraño (também grafado como Estraño em algumas traduções) é exemplo claro de como não se deve retratar a homossexualidade nos quadrinhos. Criado pelo roteirista Steve Englehart, faz parte da equipe Novos Guardiões, é um rapaz latino com todos os estereótipos atribuídos aos gays. O rapaz era espalhafatoso, exagerado, fútil e com falas repletas de clichês (similares as do personagem Danilo de “Os Mutantes” da Rede Record). Extraño foi um grande embaraço para a editora, e para piorar ainda mais, revelou que o personagem contraíra AIDS, numa época em que a doença era vista com muito preconceito e atribuída a relações homossexuais. Para sorte dos leitores ele sumiu junto com seu chatíssimo grupo. Então veio o segundo personagem homossexual da DC Comics, retratando melhor o tema. Tratava-se de um vilão regenerado, o Flautista, ex-inimigo de Flash. Ele revelou sua opção sexual em uma conversa leve e descompromissada com o herói velocista e até hoje marca presença nas histórias do corredor vermelho.

3 – Granizo (Gen13)
WildStorm, selo criado por Jim Lee e comprado pela DC em 1998 é a responsável pela criação da super equipe Gen13, que já ganhou um desenho animado. Na trama fora revelado logo na segunda edição da revista que a heroína Granizo era lésbica. O assunto não voltou a ser abordado na série durante anos. Recentemente, pouco antes da revista ser cancelada, o roteirista Adam Warren conseguiu retomar este lado da personagem. Falando em personagens lésbicos ligados ao universo da DC, não temos como deixar de citar Maggie Sawer, ex-capitã da polícia de Metrópolis e fundadora da Unidade de Crimes Especiais (UCE). Ela foi a primeira personagem homossexual assumida no universo de Superman, até ser transferida para Gotham City, onde passou a atuar ao lado de outra moça lésbica, a policial Renée Montoya. Montoya surgiu originalmente no desenho “Batman: The Animated Series” e foi aos quadrinhos revelar que mantinha sua opção sexual em segredo para evitar problemas com a família. Tudo mudou quando o vilão duas caras revelou uma foto sua com uma garota. Seus pais não gostaram, mas os amigos a apoiaram.

2 – Hulkling e Wiccan (Jovens Vingadores)
Tratar de jovens homossexuais é sempre um assunto problemático. Mesmo mangás e games abordando o assunto de forma mais natural, os quadrinhos americanos continuam com o tabu. Arqueiro Verde e Lanterna Verde já enfrentaram gangues que espancavam jovens homossexuais e os protegeram destes vilões bem reais. No entanto, nenhum jovem ainda tinha saído do armário. Tudo mudou quando Billy Kaplan e Teddy Altman (Hulkling e Wiccan) se conheceram. Convocados pelo herói Visão (Os Vingadores) para criar uma nova equipe, eles entraram na ativa como os Jovens Vingadores. Aos poucos se tornam amigos e com o passar do tempo algo mais. A relação flui de forma natural e os dois mantêm uma relação apaixonada e fiel com o apoio dos amigos. A mídia tentou causar polêmica com o fato de ambos serem o primeiro casal gay adolescente a protagonizar numa revista importante da editora. Mas os leitores não deram a mínima e passaram a torcer por eles.

1 – Apolo e Meia-Noite (The Authority)
Os dois heróis mais importantes são sem duvida de um grupo pouco conhecido: The Authority. O esquadrão é publicado pela DC Comics e pertencem ao universo Wildstorm. A série, criada por Warren Ellis e Bryan Hitch, apresenta heróis bem agressivos, que não hesitam em eliminar adversários, matar ditadores, se envolver sem pudores em confusões internacionais e voltar-se contra o governo americano. Os heróis são bem parecidos com outros heróis do universo DC, ganhando o apelido de “alternativos” ou “genéricos”. O casal gay Apolo e Meia-Noite são, por exemplo, cópias de Superman e Batman respectivamente. Os dois protagonizam o primeiro casamento gay dos quadrinhos, com direito a cerimônia e adoção de uma menina. E já que estamos falando de universos alternativos de heróis clássicos, não podemos deixar de citar “Watchmen”, considerada a mais importante obra de quadrinhos de todos os tempos, que foi criada por Alan Moore em 1986 e vai chegar aos cinemas em 2009. Na trama, que também se inspira em heróis clássicos, temos Hooded Justice, herói que começou a atuar em 1938 e que desapareceu nos anos 50. Sabe-se que ele mantinha um caso secreto com um de seus colegas do grupo Minutemen, provavelmente o Capitão Metrópolis.

Texto originalmente escrito para a revista Crash (Editora Escala), com o apoio de Francisco Junqueira.

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David Denis Lobão

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