
Entre vendedores ambulantes, grande concentração de pessoas, terminais de ônibus, centros comerciais, bancas de revistas e restaurantes de qualidade duvidosa esconde-se algo muito interessante, que está ganhando espaço e público na cidade de São Paulo. As lojas de materiais e produtos usados, mais conhecidas como “sebos” dominaram a capital trazendo artigos raríssimos, dentre eles álbuns de grandes artistas, filmes, livros de todos as categorias e principalmente CDs de música.
Resumidamente, os “sebos” são lojas que trazem produtos de qualidade com um preço bem menor, justamente pelo fato de serem usados. E prezando essa reputação, temos muitas lojas especializadas que realmente conseguem atingir seu objetivo. O Sebo do Messias, com várias filiais na Praça da Sé e ao redor do fórum João Mendes, em São Paulo, é talvez a mais expressiva do gênero, se é que podemos caracterizá-la como um simples estabelecimento comercial. Com um acervo equivalente ao de uma ‘megastore’, o local se tornou popular graças a sua variedade de títulos velhos e usados, principalmente das fitas VHS, que perdendo a disputa com o DVD teve seus preços drasticamente reduzidos. Nas lojas do Messias, por exemplo, é possível comprar até cinco filmes em VHS pela bagatela de dez reais e pesquisando bem, acham-se muitas coisas interessantes. São mais de 60 mil fitas espalhadas. Mais do que muitas vídeo-locadoras disponibilizam.
Andando pelo centro velho da capital, conseguimos encontrar dezenas (você não leu errado) de títulos de animês distribuídos em VHS e DVD e claro, os mangás não ficaram de fora. Prezando uma qualidade invejável, as fitas custam de 2,50 a 6 reais enquanto os DVDs giram na faixa dos 10 reais. Os mangás, por sua vez, podem ser encontrados pelo preço único de dois reais e em determinados locais é possível encontrar até mesmo coleções inteiras como de “Sakura Card Captors” (da JBC) e “Dragon Ball” (da Conrad).
Mas o acervo infinito dos sebos não pára por aí. Revistas originais japonesas como a Shonen Jump e a Nakayoshi são encontradas por apenas três reais e às vezes essas lojas escondem itens de verdadeira procura dos ‘otakus’. Singles e álbuns originais são facilmente achados junto de outros CDs antigos como o de trilha sonora de novelas. Apesar da organização dos acervos não serem boas, é ‘fuçando’ que se encontram as maiores pérolas.
A Jornada pelos mais raros
Estive em quase todos os sebos famosos do centro da cidade e encontramos itens obrigatórios na coleção de qualquer otaku. Além das coleções completas de mangás, como já citamos, é possível achar títulos que nem imaginávamos que existiam.
Para começar, grandes clássicos do live-action como “Machineman”, “Solbrain” e “Winspector” são comercializados em todos os volumes no Sebo do Messias. Outros filmes japoneses como “Godzilla 2000”, “Tabu” e a coleção “Ring” (que deram origem ao terror americano: “O Chamado”) já podem ser adquiridos por cerca de 6 reais.
Porém, as grandes raridades ficam com as animações. “G-Force”, “Guerreiras Mágicas de Rayearth”, “A Lenda do Zorro”, “Shurato” e os antigos filmes de “Cavaleiros do Zodíaco” disputam a atenção do público na própria vitrine de uma das principais lojas do centro. A maioria deles não custa mais do que 4 reais.
No mesmo dia, ainda encontramos outros títulos imperdíveis: “Street Fighter II”, “Dragon Ball: A Lenda das Esferas do Dragão”, “Dragon Ball: Uma Aventura Mística”, “Pokémon 2000”, “Pokémon 3”, “Pokémon O Filme”, “Animatrix”, “Guardiões do Universo”, “O Show do Mario” (aquele antigo, que passava na Xuxa), “Samurai Jack”, “Power Rangers”, “O Tigre e o Dragão”, “A Viagem de Chihiro”, “Dragon Ball Z” (praticamente todos os movies lançados), “Sailor Moon” e “Sailor Moon R”, “Final Fantasy”, “Double Dragon”, “Ranma ½ “, “Ultraman”, “National Kid”. Como puderam ver, há espaço para tudo nos sebos, desde os lançamentos até os materiais bem antigos.
Então, a dica foi dada. Junte uma grana, vá até o centro da cidade e vasculhe pelas prateleiras. Garantimos que você vai se surpreender com muitas coisas boas.