05
Feb
2009
1

Língua portuguesa: Sem acentos e ponto final

Vamos esperar que este ano muitas mudanças boas aconteçam. Na nossa vida pessoal e no mundo. Por favor, sem mais um ano com as notícias ainda sendo guerra e crise do dólar…

Mas uma mudança com certeza já aconteceu, e é sobre ela que vou discorrer hoje. Se ela é boa ou não, vai do critério dos leitores, dos mais tradicionalistas, como eu, ou dos mais adeptos do final da análise sintática e da ortografia complexa. SIM! Vamos falar da mudança, que vinga no país desde a virada, a nova regra da grafia do português brasileiro.

Aos adeptos peço desculpas, mas eu odiei essa nova mudança ortográfica. Mesmo que meu protesto contra não vá adiantar nada, absolutamente, quero deixar registrados os pontos negativos dessa “adaptação” do português. Aos desavisados, as mudanças foram as seguintes: Não serão mais usadas tremas, nem acentuação em paroxítonas com ditongo aberto, nem hífen, nem acento diferenciador de plural, nem nada. Nossa, mas isso deveria ser bom, não? Muito menos trabalho nas aulas e menos coisa para decorar na prova, certo? Eu acho errado.

A antiga acentuação não era só uma frescura e um estilo de escrita. Era, de fato útil, não apenas para nós, nativos da língua, mas para estrangeiros que tem interesse em aprendê-la. A acentuação, por mais que as regras fossem rígidas, ajudavam na pronúncia e na diferenciação de palavras em texto corrido.

O fato do português ter se tornado mais coloquial ao longo dos anos, como é seu curso natural, não deveria ter influenciado os portadores do poder das regras gramaticais do país. Agora, como explicar a uma criança ou a um aluno intercambista a diferença de pronúncia entre pinguim e guinar? E liquidificador e quina? Por que cinquenta escreve do mesmo jeito que queijo, e ainda assim não se fala igual?

E olha que bonita ficaria a frase: “Correu os dedos pelo pelo do cachorro”. Parece até que você escreveu errado duas vezes a mesma palavra. Difiícil, hein? Sem contar os dias da semana, por exemplo, hoje é sexta feira. Feira se tornou uma palavra independente.”Na minha rua, tem feira de quinta feira”. Quase um pleonasmo.

Eu acho que isso foi meio “emburrecer” a língua. E não falo isso como uma colonizadora antiga que escrevia Theatro Mvnicipal. Qual é, NINGUÉM falava o V, sempre foi U. Tudo bem mudar pro U. Igual quatorze e catorze, tanto faz. Agora os acentos ERAM falados. Por exemplo, agora a palavra “européia” não tem mais acento. “europeia”. Se você não sabe que isso é uma paroxítona de ditongo aberto, você fala “europêia” fácil.

Bom, enfim, só tenho a lamentar. As mudanças estão aí, quer queira ou não. E felicidades para os novos alunos de Português das escolinhas. E azar para os coitados que vão ter que aprender agora. O que eu sei é que, pra mim, vôo sempre vai ter acento.

EDIT.: Você quer saber o que Portugal e os portugueses pensam de tudo isto? Clique AQUI e descubra!


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03
Oct
2008
0

O fim da língua brasileira, digo… portuguesa!

Lula assina cronograma de implantação do acordo ortográfico

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou hoje, (29), o decreto com o cronograma de implantação do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa no país. A assinatura foi realizada durante sessão solene de celebração dos 100 anos da morte de Machado de Assis.

O acordo ortográfico prevê 20 bases de mudanças na língua portuguesa, tais como o fim do trema, novas regras para o emprego do hífen, inclusão das letras w, k e y no idioma, além de novas regras de acentuação.

Rervoltado com a novidade, o trema pediu um direito de resposta, postado a seguir e roubado do blog do Cassiano.

“Prezados,

Não venho aqui encher lingüiça nem esbanjar uma eloqüência inconseqüente. Estou tranqüilo quanto ao papel que venho desempenhando na sociedade, da qual tenho sido vítima com freqüência de ataques.

Não sou menino. Vivi e vi muito. Desde 43 que perambulo por estradas e ditongos da vida. Que o diga o U, este grande amigo a quem não me canso de garantir que tenha voz neste mundo de crescente exclusão.

Também o diga o Müller, outro grande defensor de minha carreira, bem como todo o nobre povo alemão, este sim um apreciador do chucrute, da música clássica e do legítimo trema germânico.

Ao ver decretada assim minha expatriação, penso nesse povo sem memória e sem afeto. Desterraram seu último e apaixonado imperador e agora me trocam por kas, dáblius e ipsilones representantes do imperialismo saxão. Sempre suspeitei que minha morte ou exílio estavam sendo há décadas tramadas por alguém.

Não sabia se pelos comunistas, pelos socialistas, pelos capitalistas ou pelos fãs de Marylin Manson. Agora eu sei. Foram os dáblius, esses vês pervertidos que sempre andam de mãos dadas, em plena luz do dia. Caracteres pederastas, esses dáblius. Pederastas e traidores. Quem me lê sabe se tem a mão ensangüentada.

Me espanta a hipocrisia destes mesmos abraçadores de árvores e defensores da ecologia e do seqüestro de carbono tirarem dessa forma o acento e o acalento dos pingüins. Agora eles têm de agüentar. Por um, por dez ou por cinqüenta anos. Até o fim de tudo. Verão, na pele, a falta que um trema faz, delinqüentes ortográficos, seres de índole eqüina.

Vou-me. Partirei de volta para o velho mundo, onde ainda há espaço para tremas, lamparinas e fados tristes. Saio desta vida para a ubiqüidade.”

Falar de Lígua Portuguesa, me lembra escola, que me lembra aprender português, que me lembra aulas, que me lembra meus queridos professora, que me lembra… O clipe “Ao mestre, com Carinho” dos Os Seminovos. Confira, é ÓTIMO!


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