20
Aug
2010
0

TOP 3: Os maiores absurdos de Glória Perez

Em entrevista para o programa “Por Trás da Fama” (Multishow), a novelista Glória Perez afirmou que o maior absurdo que já escreveu foi na novela “Carmem” (1987 – TV Manchete).

Na trama em questão, a autora escreveu uma cena em uma mulher dispara seis tiros contra o marido, a menos de um metro de distância, e erra todos. Sim, ele saiu vivo e sem nenhum ferimento.

Mas será que a autora não escreveu nenhuma situação mais absurda? Fazemos um TOP 3 de suas novelas mais recentes!

“O Clone” (2001)
A trama tratava da clonagem de seres humanos, o que por si só já é uma grande ‘viagem’ da autora, mas pega ainda mais pesado no final, quando a vilã Nazira foge com seu “príncipe encantado”, montada em um cavalo branco alado.

“América” (2005)
A mocinha Sol era uma grande mala, que tentou entrar nos Estados Unidos de tantas formas bizarras que parecia mais personagem de desenho animado, tentou até dentro de uma caixa e de um painel de carro. Mas nada se compara ao herói Tião. Além de sonhar com o pai morto, ele chegou até mesmo a visitar o inferno quando morreu e encontrou o cão Cérbero.

“Caminho das Índias” (2009)
Assim como toda novela de Glória Perez, a trama era repleta de furos, como o personagem de Paulo José, o louco denominado Gentileza, que ninguém entendeu de onde era, ou pra onde iria. Mas triste mesmo foi o final do casal Maya e Raj, que quando se reencontraram correram um direção ao outro, trocando magicamente as roupas velhas da mocinha por um rico vestido de festa. Uma transformação digna da Mulher-Maravilha em sua série clássica.


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21
Nov
2009
2

Super Séries: “Sons of Anarchy” – Os filhos da anarquia americana

Sons of Anarchy

Primeiro “Sons of Anarchy” é a série mais desconhecida da nossa nova seção, mas mesmo assim é uma das melhores. A produção foi criada por Kurt Sutter (escritor e produtor de “The Shield”) para o canal pago FX.

Só pelo elenco a série já merecia uma chance. Encabeçam a lista Charlie Hunnam (“Queer as Folk” e “Cold Mountain”), Ron Perlman (“O Nome da Rosa” e “Alien: A Ressurreição”) e Katey Sagal (“Um Amor de Família”, “Lost” e “Futurama”). Mas o que estes astros fazem na série? Ligam com motocicletas furiosas dignas dos maiores clássicos de ação dos cinemas. Vale assistir também para lembrar que a chama de “Easy Riders” não se apagou.

A tal “Sons os Anarchy” é uma gangue de motoqueiros. Eles vivem um estilo de vida anacrônico e lutam para ele não morrer ou ser esquecido. Para este importante papel existe o personagem vivido por Hunnam que é um jovem sucessor de um dos fundadores que precisa descobrir as suas novas responsabilidades, tanto com seus irmãos motoqueiros, quanto com sua família de verdade.

Em meio aos ventos na cara das Harley Davidsons e dos dramas familiares que aparecem, a pergunta que fica é como o trafico de armas entrará na história, dando uma nova vazão para a aventura começar de verdade e garantir o futuro da série após os 13 episódios iniciais de sua primeira temporada de sucesso. Que venham mais!


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24
Feb
2009
5

Gloria Perez não terá gays em “Caminho das Índias”

A tradição de personagens homossexuais em novelas das oito (ou da nove) da Rede Globo parece ter chegado ao fim. Desde 17 de fevereiro de 2003 quando estreou “Mulheres Apaixonadas” (atualmente reprisada em “Vale a Pena Ver de Novo”), toda trama Global deste horário teve pelo menos um personagem representando a comunidade homossexual. Foram no total seis anos e nove novelas seguidas trazendo gays, lésbicas e bissexuais no horário mais nobre da televisão brasileira, com o maior Ibope do país.

Gloria Perez (foto), autora da atual trama do horário, “Caminho das Índias”, afirmou que deve acabar com esta tradição respondendo a um leitor da revista Minha Novela, na coluna “Converse com a Autora”. Vagner de Araraquara (SP) perguntou: “Você tratará, em sua trama, temas como homossexualismo? Já imaginou um dos indianos homossexual apaixonado por um brasileiro?

A autora de “Caminho das Índias”, Gloria Perez, então respondeu:Obrigada pelas palavras carinhosas. Sobre o homossexualismo, Vagner, já abordamos o tema em ‘América’ e acho que há assuntos novos para esta novela. Mas tenho certeza que você vai adorar cada pedacinho da nossa história. Um beijo grande”.

Confira abaixo quais foram as nove novelas das oito consecutivas a abordarem o tema homossexualidade no horário nobre da Rede Globo nos últimos seis anos.

Mulheres Apaixonadas (Manoel Carlos – 2003)
Clara Rezende (Aline Moraes) e Rafaela Godoy (Paula Picarelli) formavam um jovem casal lésbico que se apaixonam enquanto cursam o terceiro colegial, enfrentando o preconceito de colegas do Ensino Médio e dos pais de Clara, mas acabam felizes e juntas no final quando Clara completa a maioridade e termina os estudos. Existia ainda na trama Eugênio (Sylvio Meanda), o secretário/mordomo/amigo gay e ‘assexuado’ da milionária Estela de Azevedo Franco (Lavínia Vlasak).

Celebridade (Gilberto Braga – 2003)
Laura Prudente da Costa (Cláudia Abreu) não media esforços para conseguir o que queria. E no seu rumo ao sucesso e ao dinheiro ela encontrou pelo caminho a rica lésbica Dora Lima (Renata Sorrah). Como resultado, Laura não exitou em ir pra cama com a ricaça para conseguir um contrato milionário.

Senhora do Destino (Aguinaldo Silva – 2004)
Dois casais gays pontuaram a trama que começa a ser reprisa segunda-feira no “Vale a Pena Ver de Novo”. A médica Eleonora Ferreira da Silva (Mylla Christie) começou um namoro com a milionária Jennifer Improtta (Bárbara Borges) para desespero dos pais de ambas, mas no final elas se casaram e adotaram um menino. Já o carnavalesco Ubiracy (Luiz Henrique Nogueira) vivia sempre brigando com Turcão (Marco Villela), que vivia traindo ele com uma mulher da periferia, mas no final eles acabaram juntos.

América (Glória Perez – 2005)
A trama mostrou a dificuldade do jovem Júnior (Bruno Gagliasso) assumir sua homossexualidade perante sua mãe e seus amigos em um ambiente tipicamente rural, onde esperavam que ele se tornasse um grande caubói. Foi neste local que ele conheceu o peão Zeca (Erom Cordeiro) e se apaixonou.

Belíssima (Sílvio de Abreu – 2005)
A trama permaneceu com seus personagens homossexuais no armário até as últimas semanas. Karen (Mônica Torres) não possuía namorados e muitos achavam que ela podia ser lésbica, a confirmação veio quando ela terminou a novela ao lado da sua sócia Rebeca Cavalcanti (Carolina Ferraz), que se descobriu bissexual após se desiludida por vários homens. Já “Gigi” Falcão (Pedro Paulo Rangel) sempre esteve envolvido com mulheres no passado, mas se revelou ‘bi’ no último capítulo ficando com um dos bailarinos do musical que produziu.

Páginas da Vida (Manoel Carlos – 2006)
O médico Rubinho (Fernando Eiras) já surge na trama vivendo um longo e feliz casamento com outro homem, o músico Marcelo Nascimento (Thiago Picchi). Todos sabem da situação sexual dos dois e os respeitam. Eles lidam com muita seriedade com sua forma de vida e terminam a trama virando pais, adotando a criança de sua empregada doméstica. Outro destaque foram os depoimentos reais de homossexuais exibidos ao final de alguns capítulos.

Paraíso Tropical (Gilberto Braga e Ricardo Linhares – 2007)
Novamente surge um casal já formado e bem resolvido na trama, o gerente de hotel Lucas Aboim (Rodrigo Veronese) é casado com o recepcionista Tiago Batista (Sérgio Abreu) e ambos moram juntos, sendo que no trabalho todos sabem da relação de ambos. Diferente deles vivia o homossexual Hugo (Marcelo Laham) que inventou um casamento falso com a vilã Taís (Alessandra Negrini) para esconder dos pais seu namoro com o jovem Felipe (Miguel Kelner). Mais pra frente conhecemos Carolina (Rogéria), uma transexual extremamente final e educada, que é amiga de Virginia (Yoná Magalhães) e escandalizou Iracema (Daisy Lúcidi).

Duas Caras (Aguinaldo Silva – 2007)
Bernardinho (Thiago Mendonça) teve dificuldades de ser aceito como homossexual pelo pai e pela madrasta, mas encontrou conforto com a amiga Dália (Leona Cavalli). Mas Heraldo (Alexandre Slavieiro) também se apaixonou por Dália e assim eles passaram a viver um caso a três e dormirem na mesma cama. Enquanto Bernardinho passava a se envolver com Dália, Heraldo passava a aceitar os carinhos do amigo. Mas surgiu na história o bissexual Carlão (Lugui Palhares), que após enganar Bernardinho, se apaixonou pelo rapaz e ambos acabaram se casando no final da história, registrando em cartório sua união. Ainda existia a trama do falso gay Jojô (Wilson dos Santos), que na verdade era casado com Eunice (Gottsha), mas escondia isto, porque tinha vergonha de dizer que era hétero.

A Favorita (João Emanuel Carneiro – 2008)
Maria do Céu (Deborah Secco) terminou a novela com o bissexual Orlandinho (Iran Malfitano), que tinha se casado com ela apenas por interesse, mas na verdade era apaixonado pelo amigo Halley (Cauã Reymond). Descobrimos depois que a mesma confusão sexual já tinha ocorrido com o pai de Orlandinho, seu Darcy (Luiz Bacelli). Em uma outra trama conhecemos Stela (Paula Burlamaqui) que já foi casada por muitos anos com outra mulher, e que juntas criaram um filho chamado Gabriel (Bruno Bezerra). A bondade e carinho de Stela conquistaram Catarina (Lilia Cabral), deixando em aberto se ela terá uma relação lésbica com a amiga no futuro.

Os melhores momentos dos dez últimos anos de casais gays no horário nobre da teledramaturgia brasileira


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08
Feb
2009
0

Está apresentando o ator para quem Gloria Perez?

Nem tudo é perfeito na vida, e isto inclui a televisão brasileira. Temos a melhor teledramaturgia do mundo, mas muitas vezes falhas graves são cometidas com os créditos de abertura das novelas. Atores creditados de maneira inadequada são até comuns, mas o mais estranho mesmo é quando alguma trama quer pegar para si o crédito de ter revelado algum ator ou atriz, quando não o fez.

Explica-se, muitos artistas que já tinham trabalhado antes na televisão, aparecem creditados como “apresentando” em determinadas novelas, juntos com outros (estes sim) honoráveis desconhecidos. Mas por quê? Tal fato não é tão incomum como se pensa, não é raro um ator ter um papel pequeno em uma emissora e quando muda pra uma maior ele ser “apresentado” ao público desta. Mas nem sempre a regra é clara no jogo, alguns já tinham feito até protagonistas em outras emissoras antes de serem re-apresentados ao público.

Mas olhando com cuidado o assunto percebe-se que em todas as tramas recentes de Gloria Perez, atores já conhecidos pelo público são “apresentados” novamente nas aberturas das novelas da autora. Veja abaixo alguns exemplos.

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Sidney Santiago – “Caminho das Índias”

Na atual trama de Gloria Perez, “Caminho das Índias”, Sidney Santiago é creditado como “apresentando” ao viver o papel do deficiente mental Ademir. No entanto sua estréia na televisão foi em 2004 na novela “Metamorphoses” da Rede Record como Xarope. Depois disto viveu na Rede Globo dois papéis Kennedy em “Carandiru, Outras Histórias” (2005) e o homossexual Jurandir em “Queridos Amigos” (2008 – imagem acima).

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Marisol Ribeiro – “América”

Em “América” (2005), Marisol Ribeiro, aparecia creditada como “apresentando” ao lado de novatas como Cléo Pires. Mas a carreira da menina já era bem extensa na época. Ela estreou na TV em 2001 no Disney Club do SBT, onde também fez a Alessandra de “Marissol” (2002 – foto acima). Ainda em 2002 fez na Globo a Tininha de “Malhação”.

daltonvigh

Dalton Vigh – “O Clone”

Talvez o exemplo mais gritante seja de Dalton Vigh, o ator foi “apresentado” por “O Clone” (2001), onde viveu o vilão Sahid. Mas antes disto, ele estreou na TV Manchete em 1995 com “Tocaia Grande” (Venturinha) e em 1996 em “Xica da Silva” (Frei Inquisidor Expedito). Depois disto em 1997 foi para o SBT onde fez o Luigi de “Os Ossos do Barão” e protagonizou a novela “Pérola Negra” (imagem acima) em 1998 como Tomáz. Também atuou na Record em 1998 (“Estrela de Fogo” como Fernão) e 2000 (“Vidas Cruzadas” vivendo Lucas). E até na própria Rede Globo já tinha participado de “Andando nas nuvens” em 1999 como Cícero.

Mas já que estamos falando nisto…

Mas falar que este fato é exclusivo da Rede Globo, ou de Gloria Perez, é uma informação errada. Só um exemplo… Em “Caminhos do Coração” da Rede Record, a emissora “apresentou” ao público na abertura da trama a atriz Sabrina Greve, ‘esquecendo’ que ela já tinha atuado com destaque em 2006 em “Cristal” (SBT), em 2005 na série “Carandiru, Outras Histórias” (Globo) e estreado pra valer como a Teresa de “A Casa das Sete Mulheres” (Globo – 2003). Já na continuação “Os Mutantes”, apresentaram Helder Agostini, que já tinha feito três grandes papéis em novelas da Rede Globo: “Malhação” (2000/2002), “Força de um Desejo” (1999) e “Meu Bem Querer” (1998).


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23
Jan
2009
3

“Caminho das Índias” começa com bom Ibope

Caminho das Índias” já merece logo de cara pontos extras. É literalmente uma novela autoral como não existe nenhuma outra hoje em dia. É uma novela escrita por uma única pessoa (a autora Gloria Perez), sem um monte de colaboradores ajudando, e também possui um único diretor geral, Marcos Schechtmann.

Outra vantagem é que a autora sabe onde quer chegar com sua trama. Por mais que ela seja criticada por ser didática demais em suas explicações ou por enrolar demais a trama, ela realmente passa confiança ao telespectador por aparentemente saber o que está fazendo. Colabora com isto uma entrevista recente do ator Tony Ramos, onde ele declarou que já gravou cenas “do capítulo cento e pouco”. E de fato, tudo leva a crer ser verdade, afinal só com um bom planejamento é possível fazer uma novela como esta; afinal de contas não é todo dia que da pra ir gravar uma ceninha ali na Índia e voltar.

O Ibope parece ter colaborado e embarcado na fantasia da autora. Em época de vacas magras para as telenovelas – e para a programação televisiva como um todo – a estréia foi satisfatória com 55% das TVs ligadas no horário sintonizadas na trama. O fato é de se comemorar, especialmente depois das frustrantes audiências iniciais de “Duas Caras” e “A Favorita”. “Caminho das Índias” até que começou bem com 39 pontos de audiência em seu primeiro capítulo, 38 no segundo e 37 no terceiro.

Se formos comparar com as duas últimas novelas de Gloria Perez, no entanto, os números estão abaixo do esperado. “América” estreou em 14 de março de 2005 com 56 pontos de média e teve 52 pontos no segundo capítulo. Já “O Clone” marcou 47 pontos em primeiro de outubro de 2001 e 43 pontos no dia seguinte. Mas os tempos eram outros e a televisão brasileira também. Para os tempos atuais, “Caminho das Índias” é sim um sucesso.


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02
Oct
2008
1

Nos bastidores da TV: “América” e o beijo gay

Na novela “América”, ficção e realidade se cruzaram várias vezes graças as polêmicas envolvendo os bastidores da novela, mas nada se compara a censura feita ao beijo gay do último capítulo.

O tão aguardado feito inédito da teledramaturgia brasileira – e com uma expectativa condenada pela maioria da ‘mídia gay’ – ficou só na promessa da autora, na gravação da cena e na comoção que tomou conta dos principais jornais no dia seguinte. Junior e Zeca não se beijaram e viraram um mito justamente pelo preconceito que eles sofriam na ficção ter passado para o mundo real, que impediu a cena de ir ao ar.

Para ilustrar este momento, um amigo me mandou um texto de autor desconhecido. Ele circulou ano passado pela internet em diversos sites, blogs e fóruns. Agora quero compartilhar com vocês:

Amo em silêncio. Sofro em silêncio.

Do meu silêncio, da minha solidão e do meu refúgio, nasceu alguém que já não conheço. O isolamento fez com que me perdesse dentro de mim. Já não sei quem sou.

Esta procura que agora faço, esta tentativa de reencontro, tem sido bastante sinuosa e espinhosa. Já percorri caminhos que nunca quis conhecer, e descobri o que jamais pensei existir. Tenho saudades da minha inocência, da loucura de pensar que era feliz.

Amo em silêncio. Sofro em silêncio.

Neste momento, enquanto escrevo estas linhas, há uma nostalgia que se apodera de mim. Uma lágrima envergonhada percorre as faces cansadas do meu rosto. Estou cansado. Cansado de me esconder perante mim e os outros. A minha lágrima é como outra qualquer. Uma lágrima como a de outro Homem qualquer. Uma lágrima igual à de tanta gente. No entanto, é uma lágrima diferente. É uma lágrima silenciosa e que todos fazem questão de silenciar.

Amo em silêncio. Sofro em silêncio.

A barreira que encontro nos outros alimenta os meus silêncios. Tenho medo de descobrir o que não quero. Ainda não estou preparado para perder aqueles que hoje se dizem meus amigos. Sou o mesmo que sempre fui. Aquele em quem confiaram, aquele com quem já se riram e choraram, com quem falaram e cantaram. Mas ninguém me conhece. Não conhecem o homem que ama, que chora, que sofre e que sonha. Tenho medo de me mostrar. Medo que o vosso silêncio se junte ao meu. Medo de sair da minha solidão interior e ficar completamente só.

Amo em silêncio. Sofro em silêncio.

Será que ninguém compreende o valor do amor? Não será o meu amor igual ao dos outros? Será que amo de forma diferente? No meio de tantas incertezas só sei que o meu amor não tem fim. Amo indiscriminadamente. Amo paisagens, objectos, animais e pessoas. Amo sem olhar à cor, à cultura, à fortuna e ao sexo. O meu amor é superior a tudo isto e sinto-me feliz por isso. Não partilho esta felicidade com ninguém pois o vosso mundo não é assim. No mundo em que vivemos, o amor não existe. Existe sexo. Só podemos amar o outro sexo, não podemos simplesmente amar. O amor subjuga-se ao sexo e deixa-se limitar pelo corpo. É a isto que chamamos amor? Um sentimento escravo do físico? Onde está aquela nobreza, a superioridade, a irreverência e a juventude do amor? Porque nos prendemos tanto a velhos preconceitos? Porque nos preocupamos tanto com o que cada um faz na sua intimidade?

O sexo em si é um acto puramente carnal e animalesco. Mas o sexo também pode transmitir tudo aquilo que as palavras são incapazes de descrever. Para isso, primeiro é preciso que exista amor. Só o amor dá valor ao sexo. Só o amor lhe dá significado. Só o amor o faz transcender e permite juntar os amantes numa união inebriante. Porque nos limitamos ao sexo quando podemos ter amor? Só peço que me deixem amar e que fiquem felizes por mim. Peço-vos que me amem como eu vos amo, e que me deixem reservar o direito de escolher o meio pelo qual exprimo o meu amor.

Será pedir muito?

Será a minha felicidade uma barreira à felicidade dos outros?

Estarei a ser egoísta?

Talvez. Com tanto preconceito, questiono-me sobre tudo. Mas uma coisa é certa: não escolhi ser assim. Não tenho orgulho nem vergonha. Apenas sou assim. Sou gay. Agora só me quero conhecer para me poder amar também.

Sofro em silêncio. Amo em silêncio.

Não me deixem perder nem morrer. Ajudem-me a lutar e a sair do labirinto que construi dentro de mim. Sozinho não consigo. Mas convosco estou disposto a mudar-me e a mudar o Mundo.

Amo-vos.

Cantor: Jorge Vercilo – Música: Avesso

Campanha do Ministério da Saúde, a ‘vida real’ pode ser bem diferente da novela… A propaganda foi ao ar em quase todas as emissoras de TV brasileiras.


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