
Há muito tempo atrás, a mídia considerava os prêmios de “melhor coadjuvante”, algo menor, sem importância. No Oscar deste ano, a atriz Mo’Nique (“Preciosa”) e o ator Christoph Waltz (“Bastardos Inglórios”) provaram que os cinéfilos estavam mais interessado nos personagens secundários, que nos protagonistas.
No último domingo (28), o ator Cauã Reymond recebeu o Troféu Imprensa e o Troféu Internet como Melhor Ator de 2008, pelo papel de Harley, em “A Favorita”. Ele explicou para Silvio Santos que não fazia nem o protagonista e nem o vilão, “apenas um bom coadjuvante que cresceu na trama”; frisando ainda que era um personagem “ambíguo”.
No mesmo dia, Helena (Taís Araujo), a protagonista de “Viver a Vida”, ficou sem nenhum prêmio pelo ano de 2009; enquanto as coadjuvantes da novela de Manoel Carlos, ganharam o Troféu Imprensa (Lilía Cabral, a Tereza) e o Melhores do Ano do Faustão (Alinne Moraes, a Luciana).
A explicação é complicada, mas definitivamente, com a chegada dos anos 2000, os atores que interpretavam papéis coadjuvantes caíram no gosto do público.
Em “Lost” (2004 ~2010), a ideia do ‘coadjuvantes de destaque’ ficou ainda mais evidente. Em sua reta final, poucos querem saber como serão resolvidos os dilemas amorosos da trinca de protagonistas (Jack, Kate e Sawer). A maioria do público está mais interessada nos finais de Desmound, Locke e Ben.
Em “24 Horas”, o que não faltaram foram personagens coadjuvantes, e os produtores não tinha puderes de matar a maioria deles. Mas um delas se tornou intocável: Chloe O’Brian (Mary Lynn Rajskub). A ranzinza analista da UCT (CTU) cativou o público do mundo todo e roubou a cena dos presidentes americanos e terroristas inimigos.
Outra Clhoe, agora interpretada por Allison Mack, também passou de ‘mais uma mera coadjuvante’ para uma das mais importantes mulheres da saga do Superman em “Smallville – As Aventuras do Superboy”.
Mas não é somente no cinema, ou nas séries (e novelas) que os coadjuvantes estão ganhando destaque. Nos reality shows também.
Durante o “BBB 8″, Gyselle Soares cativou o público com seu jeitinho ‘filha perfeita’. Aos poucos, foi ficando no programa, e até chegou a vivenciar um ‘quase romance’ com um homossexual assumido (o Dr. Marcelo). Como prêmio ficou em segundo lugar.
Já no “Big Brother Brasil 9″, foi a vez de Ana Carolina Madeira brilhar. A bela chorona vivia lembrando do seu “Lindo” namorado, que ficou do lado de fora, e quis sair da casa quando sua amiga Naía foi eliminada. A coadjuvante ficou com o quarto lugar.
Estamos no “BBB 10″ e novamente temos um loirinha ‘excluída’, que quase engatou um romance com um gay, quis sair da casa ao lado da amiga Anamara e chamava seu ex de “Lindo”. A coadjuvante da vez é Fernanda Helena Cardoso.
Fernanda Helena poderia muito bem ser uma protagonista das novelas de Manoel Carlos. Assim como as Helenas de Maneco, ela tem uma personalidade dúbia, o que também a torna ligeiramente ‘chata’. Mas ela na ‘novela da vida real’, Fernanda não conseguiu o papel principal, a dentista foi colocada no time dos coadjuvantes do “Big Brother Brasil 10″.
Mas assim como suas antecessoras, ela ganhou destaque, venceu provas de resistência, brigou quando foi preciso e chegou na grande final.
A paulistana mostrou que não estava para brincadeira e talvez até poderia ter sido a mocinha da história. Pena que a sua trama começou apenas na metade do jogo, quando uma “Carta Caps Lock” revelou que ela estava SOLTEIRA.
Como diria Pedro Bial: “Salve, salve Fernanda”, “Salve, salve nossas queridas coadjuvantes”.



















