
Edson Carvalho nasceu na cidade do Rio de Janeiro em 1970. Desde pequeno demonstrava seu gosto e aptidão pela arte. Aos 12 já estava certo de que seguiria o caminho dos quadrinhos como sua profissão. Confira a seguir uma entrevista que fizemos por email com o ilustrador:
Cultureba: Antes de se tornar ilustrador profissional, já rabiscava algumas coisas durante a juventude/adolescência? Desenhar na carteira da sala de aula por exemplo.
Edson: Não sabia que eram videntes (risos). Realmente quando novo rabisquei muito as carteiras na sala de aula, principalmente quando colocaram umas branquinhas, parecia que convidavam a gente “me desenhe, me desenhe” (risos). Agora falando sério, comecei desde novo e nunca mais parei, foi coisa de sangue e amor mesmo, não consigo me ver senão desenhando. Mas criançada, nada de rabiscar cardeiras!
Cultureba: Falo isso por experiência própria! (risos) Desde quando veio essa paixão pelo desenho?
Edson: Como disse, desde novo. A maioria de meus brinquedos eram desenhos. Por exemplo: heróis, carrinhos. Sempre preferi criar, recortar e brincar.
Cultureba: Quais foram seus primeiros trabalhos como ilustrador profissional?
Edson: Meu primeiro trabalho foi no jornal “O Fluminense”, de Niterói. Tinham um caderno infantil, então apresentei meus desenhos lá e soube que seriam publicados. Gostaram muito, apesar de eu mesmo odiá-los um tempos mais tarde. Mas me senti bem em ver impresso pela primeira vez uma arte minha.
Cultureba: Ah, mas todo começo é difícil mesmo. Há quanto tempo você desenha profissionalmente?
Edson: Desde o primeiro trabalho. Bem, eu tinha 16 anos, fiquei alguns anos parado sem publicar ou fazer algo impresso, mais ou menos até os 20 anos. O melhor trabalho que fiz e ainda faço ainda, é para uma empresa que produz capas de cadernos. Eles vendem para o mundo todo, pena que não podemos assinar nosso trabalho, mas tenho livros assinados por mim, lançados no exterior.
Cultureba: Você disse que seu trabalho foi publicado no caderno infantil do jornal Agora do Rio Grande do Sul. Como conseguiu contato para publicar?
Edson: Bem, foi meio de surpresa. Tinha acabado de definir um trabalho e publiquei o personagem “Chiclete” no meu fotolog. O editor do jornal, Lorde Lobo, viu e na mesma hora me convidou para publicar meus desenhos no caderno infantil “Agorinha”, suplemento do jornal “Agora” do Rio Grande, Rio Grande do Sul. São 90 mil exemplares toda segunda-feira. Fiquei um ano e meio até pedir um tempo, pois precisava reformular meu projeto e melhorar certas coisas, mas o editor sempre deixou as portas abertas para mim.
Cultureba: Conte um pouco como foi essa experiência, sobre o que contava nos desenhos e histórias.
Edson: Eu sempre gostei de coisas leves, piadinhas legais e sem atritos políticos. Então, parto para coisas engraçadas, para agradar a todas as idades, uma comédia meio pastelão. É uma ótima experiência para mim.

Cultureba: ”Chiclete” é seu primeiro trabalho autoral. De onde surgiu a idéia do personagem?
Edson: Já ilustrei alguns livros infantis, mas nunca havia feito nada sozinho. O Chiclete, na verdade, é antigo, não tinha dado a atenção devida à ele, então um dia resolvi criar algo para mim. Sentei, comecei a rabiscar; o primeiro desenho que saiu foi ele, olhei por um bom tempo e vi que poderia sair algo legal. Mas faltava um nome, fiz uma lista enorme e na hora de escolher um, escrevi “Chiclete”, ou seja, era para ser outro nome, mas mudei de idéia na última hora e ficou “Chiclete” mesmo.
Interessante foi a criação do coelho chamado “Peteca”, enquanto pensava na turma dele, ia rabiscando em um papel sem perceber, pensei por horas e nada. Quando olhei o que tinha na mão, me dei conta que ali estava o “Peteca”, com nome e tudo.
Cultureba: Há uma referência bem marcante na obra de Walt Disney. De que modo você se influencia pelo trabalho dele no processo criativo?
Edson: Sou fã demais, sempre curti ”Turma da Mônica, mas meu traço sempre teve Disney como referência, faço questão de deixar, não quero perdê-lo e não me incomodo em ser comparado a ele. Todos acham que “Chiclete” se veste da mesma forma que o Mickey, na verdade a roupa dele foi inspirada em Roger Habbit. Mas as histórias são inspiradas em “Turma da Mônica”.
Cultureba: Seu primeiro livro sai em março desse ano. O que você contará nele, serão obras inéditas ou uma compilação de trabalhos antigos?
Edson: Bem, o primeiro livro não vai ser exatamente o que tinha em mente. Devido a falta de apoio, optei em fazer algo mais simples e que pudesse sair sem um custo alto para o leitor, então farei um livro para colorir, com tirinhas, passatempos, curiosidades e o que mais puder fazer. Serão 40 Páginas, formato 15,5 x 23,5 e ainda não tenho uma editora definida, nem o preço, mas que seja o mais barato possível.
Meu público alvo são as crianças em escolas, pois ali estão nossos futuros fãs e é isso que cada artista deve prestar atenção. Querem mudar o mercado, comecem nas escolas, crianças adoram os autores, para eles é mágico conhecer o cara que desenha aquilo que eles tanto gostam. O contato com seu leitor é incrível. Para o segundo número pretendo trazer totalmente em cores e com novidades. Em breve poderão ver coisas novas no site, com músicas da turminha, que sairão em CD.
Cultureba: Edson, muito obrigado pela entrevista. O pessoal do Cultureba deseja-lhe boa sorte na sua empreitada com as aventuras do Chiclete e sua turma!
Edson: Eu é que agradeço a oportunidade e quero deixar claro aqui que nunca ninguém respondeu tão rápido um e-mail como vocês (risos). Obrigado e, dou uma sugestão ao Cultureba que continuem assim e abram espaço para mais pessoas divulgarem seus trabalhos, vocês são ótimos. Quero deixar também meus agradecimentos ao editor Lorde Lobo (Jornal Agorinha) e minha equipe Isis, Jonatha, Marcelo, Tiago, Olivia e Marlon. Obrigado por acreditarem em mim.
Para mais informações sobre a obra de Edson, acesse o site do autor.
