
“Vai xuxu”, como um coro à platéia vai ao delirio. A estrela no palco não é nenhuma apresentadora milionária. Pelo contrário, aqui as grandes não tem vez, Kira (ex-apresentadora do “Band Kids”) e Sabrina Sato (do “Pânico na TV”) já tentaram, mas o reinado do concurso de Cosplay pertence à Mariana Monteiro, ou como é mais conhecida, Plu. Quando ela entra em cena todos sabem que o show vai começar e com ele virão uma série de bordões. As conseqüências após o evento são várias comunidade no Orkut como “A Plu baixou o nível” e “Eu adoro a Plu”.
O concurso de cosplay é o ponto alto e a atração mais cara da maioria dos eventos de anime. Seriam todos, se não fosse pelo Anime Friends, onde o show com os artistas internacionais ocupa a vaga de maior programa do dia para os fãs que frequentam a convenção.
O Cosplay (costume play) é a palavra designada para as pessoas que se fantasiam como seu personagem preferido e passam a interagir com outras com o se fosse o próprio ser e não ela mesma. Um cosplay também costuma se apresentar em um concurso num palco como um ator, interpretando uma cena do seu objeto de fascínio, que pode ser uma série, um filme, um desenho, um livro, ou qualquer outra mídia.
O Cosplay nasceu nos Estados Unidos nos anos 70 com os fãs de “Jornadas nas Estrelas” e “Guerra nas Estrelas” visitando fantasiados a suas convenções. Em pouco tempo a moda chegou ao Japão e os fãs nipônicos de animês e mangás, aderiram à moda indo aos eventos vestidos como “Sailor Moon”, “Nacional Kid” ou em casos extremos como um “Cavaleiro do Zodíaco”.
A moda chegou ao Brasil nos anos 90 e logo se expandiu para todos os eventos de anime e mangá produzidos por aqui. O encontro de fãs que não tivessem um bom número de pessoas fantasias era sinal que tinha algo errado. E este fascínio atinge todas as idades com bebês de seis meses vestidos de “Zezé” de “Os Incriveis” e “Super Mario” pelos pais, até senhoras e senhores de mais de 50 anos vestidos de “Yuna” de “Final Fantasy” ou “Picolo” de “Dragon Ball Z”.
O maior número de cosplayers (nome dado aos fãs que fazem cosplay) é concentrado no Anime Friends. No total participam do concurso mais de 1200 pessoas e ainda faltam vagas, pelo evento são quase dez mil fantasiados. Tanto sucesso é atribuído ainda aos bons prêmios que incluem uma moto, um PlayStation 2, um Game Cube, um televisor, um aparelho de DVD e um Game Boy.
Na edição de 2005, o grande vencedor foi o arquiteto Jorge Lee, que gastou mais de 500 reais para fazer uma armadura do desenho “Os Cavaleiros do Zodíaco”, do qual era fã na infância. O Cosplayer já tinha ganhado outros eventos e agora considera o novo prêmio mais que merecido. “Foi o reconhecimento do meu trabalho de longos meses. E a satisfação pessoal não teve preço também”, explica Lee, que levou um ano para construir o cosplay sozinho.
Uma duvida sempre presente é qual o critério de avaliação adotado e neste aspecto depende do concurso. “Eu avalio a roupa, interpretação, como é que o pessoal está se comportando no palco. Se a roupa está fiel ao personagem e se a apresentação também está fiel”, exemplifica uma das juizas mais experientes do evento Laís Sorgiacomo, culinarista.
Existem três tipos diferentes de concursos. No “Desfile” a única coisa que importa é o cosplay em si e é dada uma nota pela fidelidade da roupa com o personagem. No “Livre” é avaliado a criatividade do cosplay no modo de fazer a apresentação e a fantasia. Já no tradicional (no qual Laís já foi juíza), o que vale é a fidelidade total, tanto do cosplay quando da apresentação.
Mas nem todos fazem cosplay para se apresentar, muitos estão do lado de fora dos concursos, usando a roupa apenas para se divertir, seja individualmente ou em grupos. Este é o caso da designer Paula Porn, que ainda lembra de sua primeira roupa, “Sailor Vênus” em 2001. “Eu fiquei feliz que todo mundo reconheceu o cosplay e não foi tão ruim assim. Mas não fiz (grupo) e nem tenho vontade”.
Diferente de Paula está a programadora Ana Paula Pereira, que não perde a chance de reunir os amigos em nome de um desenho ou game que todos sejam fãs. “Eu amo fazer um grupo de cosplay. A gente se reúne com os amigos. O vinculo fica maior entre a gente. A gente se diverte, a gente gosta, a gente ama”. Ana compara ainda o amor pelo cosplay ao amor que uma passista sente por uma escola de samba. Ambas se preocupam por um ano com a apresentação, desde a escolha da roupa, até o resultado final. Então que comecem os desfiles e que vençam os melhores.