
Esse ar natalino me transporta para muitos anos atrás. Onde ansiava por presentes que nunca chegavam. Ou melhor, chegavam, mas nunca o que eu queria.
Atualmente as crianças conseguem com mais facilidade os presentes, ás vezes não, mas quase sempre sim.
Os meus irmãos e eu recebíamos presentes da empresa que meu pai trabalhava. Ela fazia uma grande festa e distribuía brinquedos e doces para os filhos dos funcionários. Era uma festona mesmo. Tinha brincadeiras, palhaços, música e alegria.
Os presentes eram assim: Para as meninas panelinhas, moveis de sala, cozinha, enfim tudo de plástico. Para os meninos, a maioria eram, bolas coloridas.
Mas sabe o que eu queria mesmo? Uma boneca que eu tinha visto em uma vitrine. Era uma boneca vestida de noiva. A carinha e os bracinhos eram de porcelana e o corpinho era de pano. Linda, uma noiva linda mesmo, de grinalda e tudo.
Acho que eu tinha uns nove anos, e a minha irmã Eli tinha sete anos. Ela queria um bebezinho, mas sabíamos que seria bem difícil, pois as coisas naquele tempo eram muito difíceis.
Estava bem perto do dia de Natal, já tínhamos recebido os presentes da empresa e naquele ano ganhamos uns ingressos para participar de uma festa da então primeira dama do Estado de São Paulo, Leonor Mendes de Barros, esposa de Ademar de Barros, no Estádio do Pacaembu.
Foram muitos presentes. Aquele ano tinha sido bem gordo, mas eu pensava na boneca de Noiva.
Na véspera do dia 25 eu fui mexer no armário do quarto da minha mãe, e que surpresa, lá estavam à boneca de noiva e o bebezinho que a minha irmã queria.
Até hoje me sinto emocionada e com raiva de ter descoberto antes do dia de Natal. Estraguei a surpresa, mas minha mãe faleceu sem saber que eu tinha visto.
Chorei de emoção. Aquele presente foi muito suado para meus pais, mas me deu muita alegria.
Hoje eu penso, que fim deu aquela boneca? Não lembro, só sei que eu a amava. Até hoje não lembro de ter ganhado um presente que gostasse tanto.
Sabe que meu vestido de noiva lembra o vestido da boneca? Foi inconsciente, mas se parece muito com o dela.
Agora eu penso. Como meus pais nos fizeram felizes, dentro de suas possibilidades. Dentro de um limite razoável e superando apertos, nos deram carinho e fizeram nossas vontades.
Naquela manhã de Natal, sai à rua de minha casa para mostrar para minhas amiguinhas a minha boneca de noiva.
Elas receberam grandes e lindas bonecas e bicicletas. Mas que importância tinha, eu estava com a boneca que mais queria.
Como é bom o sonho de uma criança ser realizado. Ela nunca, jamais, se esquecerá.
Gostaria de ver minha boneca de noiva e reviver aquela emoção.
Feliz Natal para todos os meus Lindinhos e Lindinhas.
Sobre a colunista: Ida Telhada é jornalista, assessora de imprensa, e tem 66 anos de idade e 36 de carreira.
