
A série “Ó Paí, Ó” vai exibir hoje, em seu último episódio, um casamento gay diferente. Tânia Toko que vive a lésbica Neusão, viverá um dilema com sua personagem, que tentará adotar uma criança, mas será impedida pela sua condição sexual, para reverter a situação casa-se com o travesti Yolanda interpretado por Lyu Arisson, e assim, juntos, eles tentarão adotar o bebê.

O jornalista Nelson Rubens escreveu em sua coluna na revista Minha Novela que a cantora Gal Costa cortou seus laços de amizade com Marina Lima, depois que esta declarou publicamente que as duas tiveram um caso. A preocupação maior de Gal é que as notícias sobre sua homossexualidade prejudiquem a conquista da guarda definitiva de um menino de dois anos que ela adotou em 2007.

Impressionante como o assunto “adoção” está em alta. É um tema tão delicado, mas ainda cheio de tabus no Brasil. Em outros países é algo tão comum e simples, e por aqui existem tantas barreiras e dificuldades no processo.
E o mais impressionante é o preconceito. Não é raro ouvir “tadinho do fulano, ele é adotado”. Tadinho nada, ele é uma pessoa de sorte e seus pais são seres-humanos maravilhosos, que deveriam servir de exemplo, já que infelizmente poucas pessoas no Brasil aderem a esta causa tão nobre e importante.
Mas um outro grande problema é um preconceito ainda maior que insiste em persistir em alguns juízes de não darem a guarda de uma criança para um homossexual, que tem condições de criá-la. Os critérios de escolha deveriam ser os mesmos, independente da sexualidade da pessoa, ou seja, o adotado tem que ter um ambiente bom para viver e ser bem cuidado e sustentado.
Para quem considera que um gay não pode cuidar de uma criança fica a pergunta: Seria melhor milhares de crianças abandonadas nas ruas e orfanatos, crescendo sem cuidado devido, sem o estudo apropriado, sem os brinquedos e coisas que gostaria de ganhar? E principalmente sem carinho?
O conceito de família está mudando, mas infelizmente nem todas as pessoas tem acompanhado este progresso… Para quem defende tanto a forma de como crianças devem ser criadas, seguem alguns dados:
- A cada dez horas, uma criança é morta no Brasil.
- Cinco milhões de jovens entre 5 e 17 anos de idade trabalham ilegalmente no país.
- A exploração sexual infantil está presente em 16,88% dos municípios brasileiros.
- Em pleno século 21, o Brasil ainda tem 15,8 milhões de crianças e adolescentes que não freqüentam a escola.
Diante de tais números convoco todos os heterossexuais a adotarem uma criança ainda este ano, já que um homossexual não pode. Quem sabe assim será possível mudar esta situação.

Na foto: A mais famosa adoção da televisão mundial, o solteirão de terceira idade Arthur Bicudo (Henry) e sua filha Punky, do seriado “Punky, a levada da breca“.