
Os latinos, de forma geral, adoram uma boa vilã, na ficção, é claro.
Através das personagens televisivas, nós podemos extravasar nossas emoções e frustrações diárias. É como se por algum momento, pudemos cometer todo tipo de maldade e no final ficarmos impunes em nossos confortáveis sofás. É uma simbiose, uma troca justa, entre os feitos e falas daquela personagem e o sentimento do telespectador.
No méxico, reinam absolutas personagens clássicas como Paola Bracho (“A Usurpadora”), Soraya Montenegro (“Maria do Bairro”) e Catarina Creel (“Ambição”). No Brasil fomos bem ‘representados’ recentemente nas telenovelas por Flora Pereira da Silva (“A Favorita”), Bia Falcão (“Belíssima”) e Nazaré Tedesco (“Senhora do Destino”).
Mas e na vida real, será que gostaríamos de conviver com uma mulher tão fatal como estas? Talvez, se ela não for uma pessoa chata. Afinal, nós até aceitamos todas as maldades que elas cometem, mas por um bom motivo: Elas são muito bacanas.
Na novela “Caminho das Índias”, a vilã interpretada por Letícia Sabatella não ‘colou’, não deu ‘liga’. Mesmo a atriz ganhando diversos prêmios e a autora (Glória Perez) insistindo na história de que ela era uma psicopata, Yvone definitivamente não teve seu nome eternizado no coração do público.
O motivo para isto ter ocorrido é muito simples: Yvone era muito chata. Ela tinha tudo para sua uma grande vilã, mas seu ‘jeitinho’ de se comportar não cativou o telespectador a ponto de ‘torcer’ por ela até o último capitulo.
No universo dos reality shows a coisa não é muito diferente. “Casa dos Artístas” e “Big Brother Brasil” provavam que vilões não tinham vida longa em um ‘programa real’. Sempre a vitória era daquele personagem que levava a alcunha de ‘mocinho pobre e sofrido’.
A primeira edição de “A Fazenda” mudou um pouco este pensamento com a vitória do ‘bad boy’ Dado Dolabella. Mas, podemos alegar que ele não era somente um ‘vilão’, mas também um ‘galã’.
Dito tudo isto, vamos observar a atual edição do “BBB”. Logo nas primeiras semanas a ‘vilã’ Tessália foi tirada do programa com uma porcentagem recorde em um paredão triplo. O público rejeitou a ‘personagem’ justamente porque ela era “uma Yvone”, ou seja, era muito chata.
Poucas semanas depois, o mesmo público do “Big Brother Brasil 10″ abraçou outra ‘vilã’ do programa, a dançarina Lia.
Assim como Tessália, os atos de Lia não podem ser comparados com os das vilãs de telenovelas, afinal não matou ninguém e nem cometeu nenhum grave pecado, mas possuía fortes características do gênero novelesco.
Lia distribuiu falas e promoveu atos capazes de deixar Silvio de Abreu e Aguinaldo Silva com inveja de não terem escrito as cenas por ela protagonizadas. Os atos da personagem vão desde ‘trair’ sua melhor amiga – colocando-a no paredão -, até provocar brigas fortíssimas com seus colegas de confinamento.
Mas mesmo com tudo isto pesando contra a permanência de Lia no programa, a moça sobreviveu à três paredões. Ela eliminou personagem coadjuvantes do jogo e cravou facilmente sua marca na história do reality show Global. O motivo? Muito bom humor.
Lia foi uma pessoa divertida nos momentos apropriados, dançou nas festas, encheu a cara e com isto cativou boa parte da audiência, que comprou suas brigas.
Mas, toda novela tem seu último capítulo. E o de Lia se aproxima antes do final da novela da qual participava.
Todo bom autor sabe que uma vilã pode ser eliminada duas semanas antes do final da trama; Gilberto Braga e Aguinaldo Silva provaram isto com a morte de Odete Roitman em “Vale Tudo”.
E quer autor melhor para escrever a trama de um reality show do que o próprio público?
A graça de Lia se perdeu. Com o tempo, até seu bordão “olha no meu olho” ficou cansativo. A dançarina deixou de ser a pessoa que qualquer um de nós poderia ser para tornar-se a amiga que não gostaríamos de ter. E com isto sua trajetória chegou ao final.
Resumindo: Lia podia ter tido o final feliz de Bia Falcão, mas tornou-se simplesmente mais uma Yvone perdida na nossa televisão.




















