
Vamos esperar que este ano muitas mudanças boas aconteçam. Na nossa vida pessoal e no mundo. Por favor, sem mais um ano com as notícias ainda sendo guerra e crise do dólar…
Mas uma mudança com certeza já aconteceu, e é sobre ela que vou discorrer hoje. Se ela é boa ou não, vai do critério dos leitores, dos mais tradicionalistas, como eu, ou dos mais adeptos do final da análise sintática e da ortografia complexa. SIM! Vamos falar da mudança, que vinga no país desde a virada, a nova regra da grafia do português brasileiro.
Aos adeptos peço desculpas, mas eu odiei essa nova mudança ortográfica. Mesmo que meu protesto contra não vá adiantar nada, absolutamente, quero deixar registrados os pontos negativos dessa “adaptação” do português. Aos desavisados, as mudanças foram as seguintes: Não serão mais usadas tremas, nem acentuação em paroxítonas com ditongo aberto, nem hífen, nem acento diferenciador de plural, nem nada. Nossa, mas isso deveria ser bom, não? Muito menos trabalho nas aulas e menos coisa para decorar na prova, certo? Eu acho errado.
A antiga acentuação não era só uma frescura e um estilo de escrita. Era, de fato útil, não apenas para nós, nativos da língua, mas para estrangeiros que tem interesse em aprendê-la. A acentuação, por mais que as regras fossem rígidas, ajudavam na pronúncia e na diferenciação de palavras em texto corrido.
O fato do português ter se tornado mais coloquial ao longo dos anos, como é seu curso natural, não deveria ter influenciado os portadores do poder das regras gramaticais do país. Agora, como explicar a uma criança ou a um aluno intercambista a diferença de pronúncia entre pinguim e guinar? E liquidificador e quina? Por que cinquenta escreve do mesmo jeito que queijo, e ainda assim não se fala igual?
E olha que bonita ficaria a frase: “Correu os dedos pelo pelo do cachorro”. Parece até que você escreveu errado duas vezes a mesma palavra. Difiícil, hein? Sem contar os dias da semana, por exemplo, hoje é sexta feira. Feira se tornou uma palavra independente.”Na minha rua, tem feira de quinta feira”. Quase um pleonasmo.
Eu acho que isso foi meio “emburrecer” a língua. E não falo isso como uma colonizadora antiga que escrevia Theatro Mvnicipal. Qual é, NINGUÉM falava o V, sempre foi U. Tudo bem mudar pro U. Igual quatorze e catorze, tanto faz. Agora os acentos ERAM falados. Por exemplo, agora a palavra “européia” não tem mais acento. “europeia”. Se você não sabe que isso é uma paroxítona de ditongo aberto, você fala “europêia” fácil.
Bom, enfim, só tenho a lamentar. As mudanças estão aí, quer queira ou não. E felicidades para os novos alunos de Português das escolinhas. E azar para os coitados que vão ter que aprender agora. O que eu sei é que, pra mim, vôo sempre vai ter acento.
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