
Hoje é um dia muito importante. Não é uma data que deve ser lembrada só por algumas pessoas ou só por fãs de animês e mangás. É algo que diz respeito a toda a humanidade, em especial aos jovens. Hoje é o dia mundial de luta contra a AIDS.
A AIDS é uma doença causada pelo vírus HIV. Descoberta no inicio dos anos 80, ela já matou bilhares de pessoas no mundo todo. A AIDS é transmitida principalmente através de relações sexuais sem proteção, através do leite materno e do sangue (em especial pelo uso de drogas com agulhas compartilhadas). A doença não tem cura, por isto pode e deve ser prevenida por todos.
A AIDS e os mangás
Mesmo sendo um tema muito importante, ele é pouco desenvolvido pelos mangakás (desenhistas orientais) em suas obras. Poucos abordam o assunto de maneira séria e esclarecedora que nem fazem novelas como “Malhação” e seriados como “O Portador”. Dizer que seria mexer numa “ferida” da sociedade não é justificado no caso dos quadrinhos japoneses, que sempre abordam com a maior naturalidade assuntos como homossexualismo e incesto.
A pioneira foi “Tomoi – Nemureru Mori No Binan” (ou “O Belo Adormecido na Floresta”) que tratou em 1986 o tema com muita seriedade, seguindo exemplo de peças como “Rent – Os Boêmios”, que recentemente foi adaptado para os cinemas. Em “Tomei”, a AIDS é abordada com dois personagens gays, ou seja, pelo homossexualismo masculino; algo até “Queridos Amigos” (2008), inédito na teledramaturgia brasileira.
Depois disto, o tema foi abordado poucas vezes. No final dos anos 90, a história “Desejo” do mangá “Confidential Confessions” (algo como “Confissões Confidenciais”), a protagonista descobre que tem AIDS e que foi contagiada em uma transfusão de sangue. Já em 2004 o mangá “Deep Love” (“Amor Profundo”) apresenta a AIDS como conseqüência de sexo heterossexual e uso de drogas. Isto ocorre através da prostituição da protagonista Ayu Monogatari.
“Tomoi – Nemureru Mori No Binan”
Na história que ilustra esta matéria, o protagonista é o jovem médico Tomoi Hisatsugu. Tomoi parte para Nova York, em 1982, para fazer residência e assim acaba conhecendo a noite gay da cidade e acompanha o surgimento de uma nova doença. Ele conhece o médico alemão Richard Stein e com ele passa a vier uma vida promiscua. Com a morte de um amigo de Stein vítima da doença, ele volta para a Alemanha e Tomoi pro Japão.
A história mostra alguns anos depois Tomoi voltando aos EUA, em 1987, e conhecendo o dentista Marvin Willians, que acaba de sair de um casamento infeliz. Tomoi descobre que Marvin tem AIDS e mesmo assim não o abandona, pois descobre que o amor está acima da doença, uma bela lição de moral para todos nós. No final o relacionamento dos dois acaba de maneira trágica. Marvin morre, mas não pela doença. Ele é morto pela ex-mulher ciumenta.
A história um ritmo que lembra filmes de arte como “Mistérios da Carne” e “Kids”, que também abordam a AIDS nos Estados Unidos com personagens adolescentes e homossexuais.