
A Globo nem bem começou a vincular as chamadas para a segunda temporada da série “Ó Paí, Ó” e já está causando polêmica. A Folha de São Paulo e o Agora São Paulo publicaram matérias destacando que a atração terá um pastor desviando dízimo de fiéis.
Mas esta não será a primeira vez que a série causa polêmica envolvendo personagens evangélicos. Em seu primeiro ano, Dona Joana (Luciana Souza) chamou a atenção no capítulo “Fiéis e Fanáticos”. A ‘crente’ resolve montar uma banquinha de Acarajé, o que desperta a concorrência de sua colega Baiana (Rejane Maia) e começa a gerar conflito entre elas. No final, Joana faz bem cocada, mas Baiana faz melhor o Acarajé. A sobrinha de Joana sugere então que as duas se unam fazendo uma única baraquinha. Joana tem medo de cometer um pecado se unindo com a “candoblezeira”, mas logo é acalmada pela ‘parente’, que lembra que não será pecado, afinal de contas isto vai aumentar o rendimento de Dona Joana e por conseqüência o dizimo para a igreja.
Enquanto isto, o pastor da igreja que Dona Joana freqüenta – interpretado por Lázaro Machado – se mostra extremamente preconceituoso com alguns símbolos do Candomblé, ao mesmo tempo em que se revela fanático por futebol e torcedor roxo do Vitória da Bahia. O mesmo pastor foi mostrado no primeiro episódio ‘roubando’ comida da casa de Dona Joana e cobrando o dizimo atrasado da fiel, que ele usou depois para alugar aparelhagem de som para uma ‘apresentação’ que teria na igreja.
A primeira temporada de “Ó Paí, Ó”, termina com o bandido Queixão (Matheus Nachtergaele – na foto com Lázaro Ramos) se convertendo à Jesus e virando evangélico. Abandonando seus negócios de furtos e prostituição para dedicar a vida a Deus. No novo ano ele vira um pastor que desviará os dízimos de evangélicos em seu benefício.
Segundo Monique Gardenberg, diretora do seriado, o roteiro foi escrito em abril e a semelhança com o noticiário deve ser encarada como brincadeira. “É um texto visionário, uma coincidência de que só fui me dar conta realmente ontem [anteontem], quando estava filmando. Mas isso foi escrito em abril e deve ser encarado como uma brincadeira, como também brincamos com as novelas da Globo e com o candomblé“, explicou a diretora para o jornal paulista.
Queixão fundou a Igreja Evangélica do Tremor Divino. O nome faz referência à ameaça de desabamento do cortiço onde os personagens vivem, tema desta segunda temporada. De acordo com o roteiro assinado por Guel Arraes, João Falcão e Adriana Falcão, o malandro Queixão, que se tornou o pastor Moisés, passa a desviar parte dos dízimos pagos pelos fiéis em benefício próprio. “O mundo conspira com assuntos que estão no ar. Mas temos tentado fazer uma coisa livre, divertida”, afirmou Nachtergaele para a reportagem da Folha anteontem. Em uma das cenas, o ex-bandido tenta expulsar, armado, um pastor concorrente para não precisar dividir os dízimos.
O seriado, previsto para ir ao ar em novembro deste ano e deve voltar a abordar outros temas polêmicos como casamento gay e racismo.







