
Em abril de 2009, enquanto eu editava o portal OhaYO!, fui convidado pela Sony Pictures do Brasil para realizar uma entrevista exclusiva com o ator Matt Keeslar, o astro de Hollywood que interpreta o personagem Middleman da série “The Middle Man” que foi exibida no canal pago Animax e durou apenas uma temporada de 12 episódios (em 2008). Ao lado de Tom Marques fiz este trabalho, que você vai confere a seguir:
Atualmente temos visto uma série de histórias em quadrinhos sendo adaptadas para os cinemas, como por exemplo “Hellboy” e “Sin City”. Você acredita que “Middleman” é parte dessa onda de produções na televisão?
Matt Keeslar: Sim, eu acho que há uma tendência em criar cada vez mais filmes baseados em quadrinhos, por vários motivos. Uma coisa é que o tabu que sempre se teve de que quadrinhos são uma leitura para crianças está diminuindo. Muito produtores, diretores e atores de cinema de hoje em dia cresceram lendo essas revistas, então é muito mais socialmente aceitável gostar de quadrinhos sendo adulto. Também houve uma crescente procura durante a época de guerra nos Estados Unidos e a criação de heróis e anti-heróis. Durante a Segunda Guerra Mundial vários superheróis começaram a aparecer; é quando o Superhomem apareceu e outras histórias sobre lutar contra nazistas e coisas do tipo.
Se você olhar para filmes como 300, por exemplo, onde Frank Miller escreve sobre a luta dos gregos. É um perfeito exemplo dos Estados Unidos tentando racionalizar seu envolvimento na guerra contra o Iraque e o Afeganistão dizendo que essas pessoas estão lá pela liberdade e que o exército Persa está tentando tirar a liberdade dos espartanos e gregos, que na verdade já tem. Mas particularmente os espartanos, com tantos escravos fazendo todo o trabalho para eles. Não é um caso real, mas um mundo fantasioso criado por Frank Miller.
Você mencionou que Middleman seria uma figura de um anti-herói, mas quais super-heróis Middleman te lembra?
Matt Keeslar: Eu acho que Middleman é um Capitão América combinado com Dr. Who. Bem, algo parecido com isso. Quero dizer, ele é uma representação da América e muito se fala sobre ser um anti-comunista.. Mas ao mesmo tempo ele realmente está salvando o mundo. Então de novo você cai naquela história de um herói americano salvando o mundo. Eu fiquei muito feliz em poder ter a possibilidade de misturar outras etnias como é o personagem de Natalie.
A série possui várias referências pop. Qual dessas referências você mais gostou durante o processo de produção da série?
Matt Keeslar: Sim, Middleam realmente é um conglomerado de várias referências pop, de 007 a Dr. Who, todos tipos de filmes de ficção científica, até mesmo de “Indiana Jone: Os Caçadores da Arca Perdida”. No último episódio há referência do filme “Fuga de Nova Iorque”. O escritor e produtor John Carpenter é muito influenciado por essas produções, é praticamente uma enciclopédia da cultura pop, sabe cada linha de diálogo de cada filme.
Sua relação entre Wendy e seu personagem é muito interessante e lembra-nos da clássica relação entre os heróis de hqs como Bad Men e Robbie em “Os Vingadores”, mas parece que vocês tem um certo entrosamente que não vemos no outro casal. Essa relação influenciou em alguma na produção da série?
Matt Keeslar: Sim. A vida real foi foi repassada para a série, pois Natalie e eu somos exatamente o oposto um do outro. Ela é muito jovem, começou cedo e tem uma forma específica de trabalho. Nós somos pessoas muito diferentes e da mesma forma, Middleman e Wendy também são, talvez até mais que Batman e Robin, por exemplo, porque Robin quer ser igual a Batman e foi seu protegido, ao invés de ser alguém independente, como é Wendy. Ela sempre está apta para resolver os mistérios no final. É como duas partículas com cargas opostas que criam energia e eletricidade quando entram em contato. Eu acho que ocorre o mesmo entre Middleman e Wendy e também Natalie e eu.
Middleman foi comparado a outras séries de humor como “Pushing Daisies” e “Chuck”. Você acredita que esse tipo específico de comédia é promissor na televisão americana?
Matt Keeslar: Acredito que não. O futuro da televisão são programas como “Dancing with the Stars” (Aqui no Brasil conhecido como “Dança dos famosos” no programa do Faustão) e “American Idol” (“Ídolos”, exibido no SBT e depois na Record).
Você participou em diferentes projetos no teatro, cinema, e televisão. Qual desses você prefere mais?
Matt Keeslar: Bem, eu realmente gostei de um filme chamado “Waiting for Guffman”, produzido já faz dez anos. Eu tive uma participação pequena, mas eu acho que é um dos filmes que me ajudou a conseguir mais trabalhos porque as pessoas o viam e achavam um filme bem divertido.
Gostei de você em “Os últimos embalos da Disco”
Matt Keeslar: Este também é outro que gostei bastante de fazer. Eu gosto de “Splendor”, que não é muito conhecido, mas consegui fazer um bom trabalho. E gosto também de “Middleman”. Francamente, “Middleman” é o tipo de projeto que culmina o trabalho de um ator. Eu trabalho bastante para decorar os diálogos e incorporar o personagem de Middleman, e sinto que seja um dos meus melhores trabalhos.
Você acha que há vantagem em trabalhar na televisão nesse tipo de mídia?
Matt Keeslar: Eu acho que você tem alguma vantagem de trabalhar na televisão se for um produtor, mas não se você for um ator. A televisão está sendo dominada por esses programas de reality show, com menos roteiro. E competindo cada vez mais com a internet para ganhar espectadores.
A série “Middleman” está sendo exibida no canal Animax, que possui 80% do conteúdo de animê para um público de 12 a 24 anos. Você tem algum interesse ou sabe alguma coisa sobre animê e mangá?
Matt Keeslar: Não. eu não conheço nada pra falar a verdade. Eu prefiro mais as graphic novels com uma orientação mais adulta.
Cite uma de suas canções favoritas.
Matt Keeslar: Gosto da “1, 2, 3, 4″ da Feist. Porque meu filho gosta daquele vídeo em que ela canta com a Vila Sésamo. Gosto também de Cypress Hill, tenho ouvido bastante rap em espanhol. Estive uma vez em um clube na Argentina, gosto bastante de música latina.
Qual seu herói favorito?
Matt Keeslar: Gosto do Batman e Robin. Particularmente “O Cavaleiro das Trevas” pois os opostos trabalham em conjunto. Mostra o lado obscuro do Batman e também o fato de ser um super-herói.
Três livros que você gostou.
Matt Keeslar: Gosto muito de “The Road”, de Cormac McCarthy e “A Farewell to Arms” de Ernest Hemingway. “Slaughterhouse Five” é um livro de ficção científica que também aprecio muito.
Cite três atores que goste.
Matt Keeslar: Marlon Brando, Daniel Day Lewis e Javier Bardem.
Obrigado Matt por falar conosco e conceder essa entrevista
Matt Keeslar: Eu é que agradeço.















