Quando uma emissora de TV quer emplacar um seriado, uma regra básica é exibir os episódios na ordem correta.
O SBT vive falhando nisto, exibindo os episódios de natal, somente no natal, e não na ordem que foram exibidos, mas aparentemente aprendeu a lição com a exibição correta de “Sobrenatural”. Mas isto não redime a emissora da ordem louca que vem exibindo os capítulos de “Chaves Animado”.
Nesta semana, a Rede Record resolveu apostar na exibição de seriados (animações e live actions) durante a tarde para levar o Ibope vespertino.
Um princípio interessante de avaliar é que alguns desenhos como “Chaves” não possuem ordem cronológica, então por mais que exibir “de qualquer jeito” irrite os fãs, não altera o fluxo narrativo. Mas outros precisam ser exibidos na continuidade correta.
Um exemplo de desenho animado que precisa se exibido na sequência, pois conta uma ‘novelinha’ é “Wolverine e os X-men”. Na história, o Professor Xavier entra em coma e a liderança dos X-Men recai sobre Wolverine. Depois disto o canadense convocar humanos e mutantes a trabalhar juntos para impedir que uma guerra destrua toda a civilização. Wolverine recebe as missões do próprio Xavier, que se comunica com ele do futuro.
É uma boa história que é desenvolvida ao longo de uma temporada de 26 episódios que a Rede Record começou a exibir segunda (21), com dois capítulos por dia, às 15h15.
O problema é que nesta sexta após o nono episódio, chamado “Futuro X”, a Rede Record exibiu o décimo-sétimo “Código de Conduta”, em vez do décimo, chamado “Saudações De Genosha”. Uma falha grave de continuidade.
Se o objetivo é aumentar a audiência usando estes desenhos, falhas assim não podem repetir nos próximos dias, ou então os fãs da série vão desistir de assisti-la.
Segundo o blog de Claudia Lauper, amanhã (25 de dezembro), , o SBT exibirá uma programação especial de desenhos em seus programas matinais.
Às 7h, durante o “Carrossel Animado”, apresentado por Rebeka Angel, a emissora exibe “O Cântico de Natal dos Flintstones” e “Chaves em Os presentes de Natal”.
Já a partir das 9h, no “Bom Dia & Cia”, irá ao ar episódios especiais de “Os Mistérios de Frajola e Piu-Piu”, “Looney Tunes e o Espírito do Natal”, “Scooby-Doo”, “Ben 10?, “Tom & Jerry em: O Quebra Nozes”, “A Vida e Aventuras de Juniper Lee”, “O Máskara” e “X-Men Evolution”.
Segundo o blog Poltrona, o canal mexicano Televisa prepara o lançamento no Brasil de um canal exclusivo para a transmissão de novelas e séries da emissora dubladas em português.
O TNL está sendo oferecido às operadoras brasileiras de TV paga, e possui no seu acervo “Rebelde”, “Chaves” e “Maria do Bairro”.
Segundo a Folha Online morreu o produtor de cinema Herbert Richers, dono da empresa que leva o seu nome e foi uma das pioneiras no ramo de dublagens no Brasil. O grande diretor de dublagem morreu hoje (20), aos 86 anos no Rio de Janeiro em consequência de um problema renal.
Richers nasceu em Araraquara, interior de São Paulo, em 11 de março de 1923 e se mudou para o Rio em 1942, onde fundou, em 1950, a companhia que leva seu nome. Atualmente, a empresa possui um dos maiores estúdios de dublagem da América Latina. Uma das produções que ganham versão brasileira atualmente na casa de dublagem é o desenho animado “Chaves” (foto).
“Chaves” completou 25 anos de exibição no Brasil em branco no SBT. Mas a TV Gazeta fez sua homenagem através dos estudantes de jornalismo da Cásper Libero que atuam no programa “Edição Extra“. Confira o trabalho que contou com a participação de dubladores originais da série, cosplayers, fãs e jornalistas especializados no assunto.
Aproveite e confira a campanha pela volta dos episódios ‘pedidos’ de “Chaves”. Tudo sobre os “episódios perdidos” de CH aqui.
A apresentadora Sabrina Sato postou uma foto no mínimo inusitada em seu blog no Twitter. Acompanhada de Emílio Surita e Rodrigo Scarpa ela aparece vestida como a personagem Chiquinha do seriado “Chaves”. Surita está fantasiado como Professor Girafales, enquanto Scarpa está com ‘cosplay’ de Chaves. A moça do Pânico na TV comenta “Sou toda errada! Enquanto todos dormem…“.
>>> Os dias de hoje
Vivemos no século 21, o século da informação. Em que os DVDs substituíram as fitas cassete e, por conseqüência, o seriado ganhou episódios novos lançados no formato. O ano em que a informação tornou-se globalizada com o poder da internet e episódios clássicos ou perdidos puderam ser baixados ilegalmente na rede, graças a fãs e colecionadores, que passaram a distribuí-las online gratuitamente para outros fanáticos pelos seriados “Chaves” e “Chapolin”.
O público dos anos 80 cresceu e continuou fiel, e os seriados ganharam novos admiradores. O SBT passou a exibir episódios inéditos da série clássica de “Chapolin”, com a dublagem original do começo dos anos 90, o que gerou uma nova curiosidade do público em cima do herói, ao mesmo tempo em que re-dublou a série “Chespirito” dos anos 90 (que já tinha sido exibida pela CNT/Gazeta) para ser exibida na emissora. A nova versão não teve o mesmo sucesso das séries originais já que apresentavam os personagens mais velhos, histórias repetidas e uma dublagem mais fracas, com novas vozes.
Em meio a tudo isto veio a maior inovação, diretamente do México, o desenho animado do personagem. O desenho animado de da turma estreou no Brasil em primeiro de janeiro de 2007 no Brasil. No México e em outros países da América Latina os fãs puderam acompanhar esta estréia antes, em outubro de 2006. Os enredos da primeira temporada, que conta com 26 episódios, são praticamente idênticos às histórias e episódios da série Chaves. Já o segundo ano contou também com histórias inéditas para a vila mais conhecida dos latinos.
Para os fãs, a parte triste de tudo isto é a ausência da personagem Chiquinha nos episódios, ocasionada por uma briga entre Maria Antonieta de las Nieves e Roberto Gómez Bolaños pelos direitos da personagem, cabendo a Nhonho e Pópis substituí-la em vários episódios, o que deixa alguns momentos mais sem graça.
As inspirações modernas ficam claras, como dos animês (os desenhos animados japoneses) em momentos mais “surreais” como quando as imaginações de Quico e Chaves ganham forma e eles (junto com o público) conseguem visualizar situações como pilotar aviões ou lutarem boxe em uma arena profissional.
>>> Foi sem querer querendo! Não contavam com a astucia dos fãs
Por definição. fã é o nome dado para uma pessoa dedicada a expressar sua admiração por uma pessoa famosa, grupo, idéia, esporte ou mesmo um objeto inanimado. Os fanáticos por Chaves demonstram seu carinho pela série das mais diversas maneiras, seja indo a encontros específicos (como o Festival da Boa Vizinhança), cultuando os dubladores, se fantasiando como os personagens (cosplay) e colecionando episódios, bonequinhos e outras relíquias.
Guilherme Leão é um destes fãs. Em sua coleção destacamos 32 gibis mexicanos “El Chapulín Colorado”, 44 gibis mexicanos “El Chavo del Ocho”, quase todos os bonecos mexicanos originais dos anos 70 (aqueles que aparecem nos episódios) e mais de 15 LPs originais dos personagens. “O ‘Chaves’ representa pra mim muito mais do que uma boa recordação da infância. Continua sendo minha principal opção de entretenimento televisivo. Estar em contato com o texto atemporal de Roberto Gómez Bolaños e com o talento de seus atores é um prazer que se renova a cada dia. Como qualquer fã que teve a oportunidade viver a fase áurea dos humorísticos no Brasil (o início da década de 90), já possuía alguns produtos CH. Entretanto, tornei-me um autêntico colecionador há cerca de quatro anos, com o intuito de preservar para as novas gerações um pouco da história das séries“, explica Leão.
Cássio Ferreira, usuário do FUCH (Fórum Único Chespirito) é outro grande colecionador de produtos sobre as séries de Chespirito, especialmente reportagens. “Tenho mais de 130 reportagens publicadas em vários países como México e Argentina, revistas publicadas nestes dois países, pôsteres originais dos filmes feitos por Chespirito (El Chanfle I e II, Musica de Viento, Don Ratón y Don Ratero), bonecos, brinquedos, Lp’s…“. Cássio explica como virou fã “Acompanho a série desde que tenho uns 4 ou 5 anos de idade. Portanto elas praticamente fazem parte do meu dia a dia. Não fico uma semana sequer sem assistir um episódio ou sem ler alguma coisa sobre os seriados. As séries de Roberto Bolaños são como um bom e velho amigo, capazes de fazerem rir mesmo quando você não está com vontade.Os produtos começaram a ser colecionados desde o final da década de 80. Meu primeiro item foi uma reportagem da revista Veja publicada em 1989. De lá pra cá a coleção vem crescendo constantemente, e agora acredito que sou o colecionador de itens CH com o maior número de reportagens sobre as séries“.
Camila Oriente Batalhone mostra que as mulheres também são fãs de Chaves. “Eu assisto desde a época em que passava no programa Bozo, lá pelos idos de 86. Hoje estou com 26 anos e Chaves faz parte da minha vida, sempre tem alguma citação que se encaixa em algum momento engraçado da vida, que a gente sempre repete“, explica e completa “Tem uma amiga que é muito fã também e sabe de cor as falas, como eu. Quando alguma fala se encaixa em alguma coisa que estamos conversando, a gente já sabe e sai quase junto; ou então eu falo e ela já sabe o que é como ‘Não seja tão burro!’ ou ‘Não seja burro, não temos o dinheiro’. O pessoal em volta às vezes não nota ou fica boiando e sempre damos boas risadas. Também tem as famosas frases como ‘A vingança nunca é plena, mata a alma e a envenena!’, que aplicamos nos outros quando nos convém (risos)“.
Pedro Castro, usuário da lista de e-mail do fórum Chespirito Brasil explica porque a série possui tantos fãs “‘Chaves’ é, para nós, fãs, como uma inesgotável fonte da juventude: quando assistimos, nos sentimos como crianças que dão gargalhadas frente à TV, vidradas em uma divertida comédia pastelão. O humor simples, porém inteligentíssimo, o cenário ‘descartável’ e o figurino barato são elementos que compõem a graciosidade e a pureza da série, e a união dessas características atrai desde o público infantil até o da terceira idade.”
A abertura atual de Chaves no SBT, um novo clássico para a nossa TV.
A década de 80, é para nós latinos a “década que ainda não acabou“. Foi um período de tempo bastante marcante para a história do século 20 do ponto de visto dos acontecimentos políticos e sociais. Alguns a consideram como o fim da idade industrial e início da idade da informação, sendo chamada por muitos como a década perdida para a América Latina.
Neste período turbulento que “Chaves”, um seriado mexicano, conquistou seu espaço na televisão brasileira.
A estréia ocorreu TVS, que depois viria a se chamar Sistema Brasileiro de Televisão (SBT), a emissora de Sílvio Santos. Sem muitos recursos para preencher a grade de horários, Sílvio optou pela parceria com a televisão mexicana Televisa, importando diversas telenovelas. Alguns apontam que por acaso no meio de um lote de novelas do canal chegaram episódios de “Chaves”, que foi dublado nos próprios estúdios da emissora por dubladores contratados da casa.
Alguns acham a história falsa, e que Silvio Santos sabia sim o que tinha sim em mãos quando comprou, mas a lenda continua dizendo que a atração tinha reprovação dos homens de confiança de Sílvio, que não queriam que ela fosse ao ar por ser “feia” e “mal produzida”. Sendo os mesmo boatos, ele contrariou sua equipe e exibiu o seriado como teste no programa do palhaço Bozo, em 1984. Tudo começou com o episódio “Caçando Lagartixas”, sendo exibidas as segundas, quartas e sextas. Alternando com o “Chapolin”, que veio junto no “pacote”.
Com o tempo a audiência foi crescendo e Chaves já ocupava vários horários na programação do SBT, chegando a vencer os programas da Rede Globo e se tornando um dos trunfos da emissora de Sílvio Santos. O seriado já foi exibido de manhã, de tarde, no horário nobre, de madrugada e até nove vezes em um mesmo dia. Seu maior pico de audiência foi de 36 pontos, em 1990.
Desde sua chegada ao Brasil, o seriado vinha sendo reprisado até que episódios novos apareceram em 1988. Mais dois lotes foram comprados, dublados e exibidos em 1990 e 1992. Destes, alguns foram exibidos apenas uma vez e são chamados de episódios perdidos.
O programa “Chaves” chegou a ser retirado da programação do SBT uma única vez, no ano de 2003, mas logo voltou, devido em parte ao grande número de fãs, e com uma novidade: o retorno de alguns episódios não exibidos desde 1992. Já “Chapolin” ficou por diversas oportunidades, um bom tempo fora do ar no século 21.
E hoje em dia? Como anda “Chaves” no Brasil? Isto nós veremos a seguir, no nosso próximo capítulo, neste mesmo site, nesta mesma URL.
Os anos 70 foi a década em que aconteceu a crise do petróleo, o que levou os Estados Unidos à recessão, ao mesmo tempo em que economias de países como o Japão começavam a crescer. Com isto a TV japonesa apresentou ao público séries lendárias como “Spectreman”. Mas os Estados Unidos mantinham viva sua TV com a revolução feminina presente em “As Panteras” e “Mulher Maravilha”. Nos cinemas, brilharam “Guerra nas Estrelas”, “Laranja Mecânica” e “O Exorcista”.
Na década que marcou as revoluções sexuais e musicais, nascia no México um estilo de humor ingênuo, mas que marcaria mais duas décadas, nascia os seriados “Chaves” e “Chapolin”. Personagens criados por Roberto Gómez Bolaños, que também produziu a série ao lado do diretor Enrique Segoviano.
Tudo começou, no entanto, alguns anos antes, quando no final de 1968, Gomes Bolaños foi contratado pela emissora mexicana TIM para um programa de meia hora todos os sábado. Assim, nasceram séries como “Los supergenios de la mesa cuadrada” e “El ciudadano Gómez”. Nos “Supergenios de la mesa Cuadrada” já apareciam quatro atores que acompanhariam o ator em sua carreira nos anos 70, eram eles María Antonieta de las Nieves (a futura Chiquinha), Ramón Valdés (o nosso Seu Madruga) e Rubén Aguirre (já com o visual típico do Professor Girafales). Os três, acompanhados de Bolaños (caracterizado como o Doutor Chapatin) discutiam assuntos variados com muito bom humor em uma mesa quadrada, quase um “CQC” dos anos 60.
“Chaves” começou pra valer depois que o personagem apareceu junto com Chiquinha, em um curta-metragem durante o programa, que a princípio se dirigia a um público maduro, mas a futura turminha se mostrou extremamente bem-sucedido entre as crianças mexicanas, e então o programa foi “redirecionado” o programa ao público infantil.
Em 1970, a TV estendeu o tempo de transmissão para uma hora e o horário utilizado passou a ser às segundas-feiras, às 20h. Então, a série passou a se chamar “Chespirito”, onde se incluíam diferentes quadros, nasce nesse espaço o herói Chapolin Colorado e claro, o Chaves do Oito. O personagem teve tal aceitação, que a emissora decidiu dar-lhe característica de seriado com um dia da semana, com meia hora de transmissão e em horário nobre.
No começo, os personagens de “Chaves” não tinham as suas características marcantes. Por exemplo, no inicio da série o personagem Seu Madruga não era pai da Chiquinha, ele morava na casa da Dona Florinda e era um vendedor de balões. O Sr. Barriga não era o dono da vila, ele apenas era zelador dessa. A Dona Florinda não usava os seus tradicionais bóbis.
No ano de 1973, o seriado passa a ser gravado nos estúdios da TV Televisa e começa então a ser exportado para diversos países. Na América Latina, o único onde não era exibido é Cuba, mas foi exportado pra mais de 120 países, sendo dublado em mais de dez idiomas.
“Chapolin” e “Chaves” fizeram tamanho sucesso que, em 1975, os níveis de audiência das séries no México oscilavam entre 55 e 60 pontos. A partir dos anos 80, os dois seriados encerraram a carreira solo, o programa “Chespirito” voltou com uma hora de duração às segundas-feiras, às 8 da noite, e dentro dele eram exibidos quadros com os dois personagens e outros tantos que foram apresentados ao longo deles em especial Chompiras (Chaveco) que tinha quadros exibidos dentro de “Chaves” e o Doutor Chapatin, que ia ao ar junto com “Chapolin”.
“Chaves” chegaria no Brasil só nos anos 80, uma época especial para o SBT. Mas isto nós veremos a seguir, no nosso próximo capítulo, neste mesmo site, nesta mesma URL.