“Fomos enganados por ‘Mania de Você'”, diz o internauta fã de novelas. Não, você não foi.

Na primeira semana algumas pessoas criaram expectativa de que a novela seria uma coisa e foi outra. Até aí tudo bem. Sonhavam com Viola sendo uma grande protagonista, a chance da vida da atriz Gabz, a primeira vez que a Globo teria três protagonistas mulheres pretas, em suas três novelas inéditas do horário nobre.

Boa intenção o público teve e nas primeiras semanas a web sentia muito lacre e muita expectativa de ouvir o tabu quebrando.

Mas com um olhar um pouco mais apurado o público podia perceber que o objetivo do autor não era contar a história de Viola. João Emanuel Carneiro queria contar a trama focada em uma família que poderia ser perfeita, mas não era. A história de margarina de Sônia/Mércia (Adriana Esteves) e a família Molina Gurgel. Mércia era apaixonada pelo patrão Ramiro Molina (Rodrigo Lombardi) e com ele teve um filho Mavi Salama (Chay Suede). Ela ainda criou Luma (Agatha Moreira), enteada de Ramiro, que desejava ver casada com seu filho Mavi. Era esta a história e isso ficava claro na forma como a estrutura narrativa era apresentada.

Para completar a abertura era explicita. O primeiro nome creditado era de Adriana Esteves, sozinha na tela. Logo depois vinham Chay Suede e Agatha Moreira. Gabz não era a protagonista, no máximo a antagonista. Faltou abraçar este lado da personagem, assumir Viola como vilã teria feito bem para a novela e a atriz, mas não era o que a direção da Globo queria vendendo a imagem de que barreiras seriam quebradas. No fim, ninguém teve destaque na produção e “Mania de Você” será esquecida. Se fosse nos anos 1970 seria mais uma novela indo para projeto Fragmentos.