
Dia 17 de maio é o “Dia Internacional Contra a Homofobia”, sim, apenas dia de combate à homofobia. O motivo é que no dia 17 de maio de 1990 a Organização Mundial da Saúde (OMS) retirou a homossexualidade da Classificação Internacional de Doenças (CID). Outros movimentos estão tentando roubar a data e transformar em um falso dia de combate à LGBTQIAPN+fobia, o que não existe e não é verdade. O fato histórico não mente. Tanto que o “Dia de Combate à Transfobia” é lembrado quando a transexualidade deixou de ser considerada uma doença e não tentando transformar este dia em uma data LGBT+.
Polêmicas à parte, este domingo, dia 17 de maio de 2026, foi marcado por uma luta nas redes sociais: lésbicas ficaram indignadas com o final do casal Loquinha, que fez história em “Três Graças”. As personagens Lorena (Alanis Guillen) e Juquinha (Gabriela Medvedovsky) terminaram grávidas, mas um detalhe causou revolta: uma delas ser barriga solidária para o casal Viviane (Gabriela Loran) e Léo (Pedro Novaes). Novamente uma novela coloca um casal de lésbicas em uma situação além da vida delas (o que já ocorreu em “Segundo Sol” e “A Regra do Jogo”, por exemplo). O final feliz não pode ser só delas? O casamento já foi coletivo, e não apenas delas, agora novamente elas vão gerar um filho para a amiga trans?
Diversas lésbicas questionaram o motivo de o casal Loquinha não poder ter um casamento só delas e depois um filho só para as duas, sem precisarem se envolver com outros casais. O protagonismo lésbico foi mesmo deixado de lado. Tudo fica ainda pior quando lembramos que o autor é um homem gay, Aguinaldo Silva, que tinha garantido que este não seria o final, como mostra a imagem a seguir.

Confira abaixo alguns comentários das fãs do casal com o final exibido pela TV Globo.
@Larisq13
Gente concordo muito, que RIDÍCULO que foi esse final de Loquinha vai tomar no cu eles tinham que estragar né
@thenicestevil
gente assim essas pessoas SABEM que a questão do final de Loquinha não é, de forma alguma, uma mulher trans ser mãe, mas sim a grande ideia de colocar o corpo de uma mulher lésbica a serviço de um casal heterossexual. o problema é que elas são lesbofobicas e ADORARAM isso
@Feih_Sah
No final das contas, isso só salientou algo : casais lésbicos servem para “servir macho” quando eles precisam. Uma história que tinha tudo para ter um fim brilhante como as atrizes, apagado por autores que só ajudam essa sociedade patriarcal e machista.
@rodddeb
Eu nunca me senti tão triste com o final de uma novela e de um casal como tô me sentindo com o final de Loquinha, faz alguma coisa
@paloma_0504
Ainda estou absorvendo aquele final desrespeitoso que deram para loquinha e esse post explica um pouco dos motivos do porque ele foi tão infeliz… Loquinha merecia mais, merecia um final digno, não essa palhaçada que fizeram com a Eduarda
@lesbocine
Com amargura, lamentamos a infeliz escolha de desfecho para a história de Lorena e Juquinha na novela Três Graças. É revoltante que, após tantos anos de apagamento de nossas vivências, tenhamos uma trajetória lindamente construída de um romance lésbico em rede nacional, sendo encerrada de maneira tão descuidada e desrespeitosa. A decisão tomada pelo casal ao final do último capítulo também fere os valores morais das personagens: Juquinha, que nunca teve carinho por Leonardo e, sendo policial com uma ética irretocável, com certeza não se disporia a gestar o filho do irmão de sua esposa, um homem transfóbico e criminoso que sequer pagou por seus delitos. Lorena, por sua vez, também não assumiria o risco de passar pela vulnerabilidade que pode ser trazida pela gestação e puerpério, ao mesmo tempo que a esposa, sem ter as melhores condições de apoiá-la num momento tão importante, e vice-versa. A inaceitável conclusão de sua jornada, além de incoerente, é claramente marcada por um olhar masculino que não teve cuidado e responsabilidade com a história do casal mais querido da novela, que inegavelmente também deu luz à fanbase mais dedicada e apaixonada da obra.
@jamesflntt
agora tenho que ver fãs da novela e do aguinaldo fingindo que esse final de loquinha não foi uma merda. custava nada mostrar os dois casais querendo adotar, a própria viviane já tinha dito que queria
David Denis criou o seu primeiro site em janeiro de 1999; o Cultureba entrou no ar em julho de 2005.
Ator – DRT: 29.837/SP
(Teatro Macunaíma)
Jornalista – MTB: 55.172/SP
(Universidade Anhembi Morumbi)