
A TV Globo resolveu mexer com a memória afetiva de uma geração ao exibir uma edição especial da “TV Globinho” em 10 de outubro de 2026, como parte das comemorações do “Criança Esperança” e do Dia das Crianças. A iniciativa foi bem-vinda, mas, para quem acompanhou o programa ao longo dos anos, ficou a sensação de que a emissora poderia ter aproveitado melhor a oportunidade de homenagear uma das atrações infantis mais marcantes da televisão brasileira e que foi originalmente ao ar entre 3 de julho de 2000 e 1 de agosto de 2015.
O retorno de Giovana Tominaga era praticamente obrigatório. Afinal, a apresentadora foi quem permaneceu por mais tempo à frente da atração e se tornou um dos rostos mais associados à “TV Globinho”. Sua presença ajudou a resgatar a identidade do programa, mas senti falta de outra figura importante dessa história: Élida Muniz. Ela participou da primeira fase da atração, entre 2000 e 2004, e voltou entre 2009 e 2010. Sua presença teria sido uma excelente maneira de representar os primeiros anos da “TV Globinho”, especialmente para quem acompanhou o programa desde o início.
A edição especial também reuniu Letícia Colin, que posteriormente conquistou o posto de protagonista de novelas, Paulo Matias Júnior, conhecido pelo trabalho como humorista e dublador, e Ícaro Silva. A escolha dos convidados ajudou a mostrar como a atração também serviu de vitrine para profissionais que construíram carreiras em diferentes áreas do entretenimento.
Mas a história da “TV Globinho” não começou apenas com os desenhos animados e os apresentadores que ficaram mais conhecidos pelo programa. Houve uma primeira fase ligada ao universo de “Bambuluá”, que também contou com Angélica. E essa passagem merecia algum tipo de referência. Uma possibilidade seria recuperar os clipes musicais que fizeram parte daquele período. O vídeo feito para a música “Expresso 2222”, de Gilberto Gil, por exemplo, poderia servir como uma lembrança daquele momento da televisão infantil.
Outra ausência sentida foi a de nomes que passaram pela atração e acabaram esquecidos na retrospectiva feita na abertura. Charles Emanuel, que construiu uma carreira conhecida na dublagem, poderia ter aparecido entre as imagens recuperadas.
E, falando em memória, os desenhos animados mereciam um espaço maior na edição especial. “Dragon Ball Z”, “Digimon” e “As Três Espiãs Demais” apareceram como representantes de uma programação que marcou a infância de muita gente. Uma entrevista com algum profissional ligado a esses desenhos seria uma boa maneira de enriquecer o especial. Wendell Bezerra, a voz brasileira de Goku, seria um nome interessante para conversar sobre a importância da dublagem e a relação dos fãs com personagens que atravessaram gerações.
O futuro da TV Globinho
Apesar da expectativa dos fãs, a edição especial não alcançou a audiência esperada e registrou desempenho inferior ao do “É de Casa”, atração normalmente exibida aos sábados. O resultado torna menos provável que a Globo considere o retorno da “TV Globinho” como um programa fixo na grade.
Isso não significa, porém, que a ideia deva ser abandonada.
Minha torcida é para que a emissora volte a investir no formato em ocasiões especiais, mesmo que apenas no Dia das Crianças ou no Natal. Seria uma maneira de reunir diferentes gerações diante da televisão e, ao mesmo tempo, valorizar uma parte importante da história da própria Globo.
David Denis criou o seu primeiro site em janeiro de 1999; o Cultureba entrou no ar em julho de 2005.
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