A série documental “Wild Wild Country”, da Netflix, conquistou um Emmy ao retratar a criação de uma comunidade liderada pelo guru Osho, que atraiu milhares de seguidores para seus ideais. Agora, quase como uma versão brasileira de um fenômeno semelhante, “A Fazenda 18” começa a chamar a atenção dos telespectadores pela formação de um grupo que já está sendo comparado a uma seita nas redes sociais.

A edição desta quarta-feira, 14 de outubro, mostrou duas participantes sendo batizadas como integrantes da chamada “alcateia”. Para entrar na matilha, as novas lobas passaram por uma espécie de entrevista e precisaram prometer fidelidade ao grupo, comprometendo-se, inclusive, a não conversar com quem estivesse de fora.

 

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A cena foi suficiente para que internautas começassem a comparar o grupão do reality show da Record com uma seita religiosa. No centro dessa estrutura está o cantor Jottapê, que vem reunindo participantes ao seu redor desde que conquistou o chapéu de fazendeiro e viu seu aliado Thaíde voltar de uma roça. Aos poucos, a aliança cresceu e já reúne mais de dez pessoas, formando o que uma das próprias participantes definiu como uma matilha.

Afinal, são lobos ou cachorros? Talvez só um grande mico! 

Uma das características mais marcantes do grupo — e também uma das que mais irritam parte do público — é o hábito de uivar quando conquista alguma coisa ou quando pretende intimidar os adversários. A atitude, que pode até parecer uma brincadeira entre aliados, vem reforçando a impressão de que o grupão funciona como uma organização com seus próprios rituais e regras de pertencimento.

Jottapê, a Bíblia e as polêmicas religiosas

A postura do cantor Jottapê também chama a atenção por envolver questões religiosas. Logo nos primeiros dias do programa, o jovem se envolveu em uma polêmica ao afirmar que havia dado uma Bíblia a Darlen, mãe da cantora Lexa. Depois que os dois se tornaram adversários no jogo, ele declarou que ela provavelmente não havia lido o conteúdo do livro.

Em outro momento, o cantor se desentendeu com o participante Maik, que afirmou que a jornalista Mônica deveria se rebatizar. Jottapê criticou o influenciador digital por, aparentemente, debochar do batismo da peoa, que recentemente se tornou evangélica, assim como ele.

As situações colocam a religião no centro das discussões de “A Fazenda 18”, em uma temporada na qual alianças, disputas de poder e demonstrações de lealdade parecem ganhar contornos cada vez mais particulares.

De fazendeiro a pastor?

Se não levar o prêmio de “A Fazenda 18”, Jottapê talvez encontre outro caminho para continuar reunindo seguidores: a carreira de pastor evangélico. Afinal, se depender da capacidade de atrair pessoas para o próprio grupo, criar rituais de pertencimento e conquistar a lealdade dos integrantes, o cantor já mostrou que tem talento para a função.