
A cobertura eleitoral do “Jornal Nacional” tem sido alvo de críticas nas redes sociais. No X (antigo Twitter), fãs de televisão e jornalistas demonstram insatisfação com o tom adotado pelo principal telejornal da TV Globo para noticiar acontecimentos políticos de grande repercussão, como a vitória de Lula e a fuga de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos.
Gabriel Vaquer, colunista da seção “Outro Canal”, da Folha de S.Paulo, resumiu a insatisfação com o desempenho do noticiário:
“Se uma característica define o JN na gestão Cristina Souza Cruz, esse termo é morno. JN foi morno na cobertura da eleição. As edições pré-segundo turno foram ‘mornas’. A edição de hoje (terça, 27), mesmo com o país pegando fogo politicamente, também é morna”.
Lucas Félix, jornalista, mestre e doutorando em Estudos da Mídia pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), concordou com a avaliação e lembrou que o problema não se restringe à cobertura política:
“E não é um problema só da política… No dia em que a Glória Menezes e a Laura Cardoso morreram, que ‘implorava’ por uma edição histórica, também foram bem qualquer coisa.”
Já Xico Sá, colunista do ICL, foi ainda mais direto ao avaliar a situação do telejornal: “Jornalismo deu adeus ao JN faz muito tempo”.
Nas redes sociais, outros internautas classificam como “protocolar” a apresentação de César Tralli e lamentam a ausência de William Bonner, que deixou a bancada do telejornal.
Na minha opinião, a Globo poderia aproveitar esse momento para apostar em uma mudança na bancada: duas mulheres apresentando o “Jornal Nacional”. A emissora poderia manter Renata Vasconcellos e colocá-la ao lado de Ana Paula Araújo ou Renata Lo Prete. Seria uma alternativa para renovar a apresentação de um telejornal que, segundo as críticas, parece ter perdido parte de sua capacidade de transformar acontecimentos históricos em momentos marcantes da televisão brasileira.
“Jornal Nacional” também perde audiência durante a cobertura eleitoral
Além das críticas ao conteúdo e à apresentação, os números de audiência também chamam a atenção.
De acordo com levantamento divulgado pelo colunista Jeff Benício, no portal Terra, o “Jornal Nacional” registrou média de 21,4 pontos entre agosto e outubro de 2026. Durante a cobertura eleitoral de 2022, o índice havia chegado a 24,4 pontos.
A comparação representa uma queda de três pontos na média de audiência. Em um período de acontecimentos políticos capazes de mobilizar o país, o desempenho levanta uma questão: o “Jornal Nacional” ainda consegue despertar o mesmo interesse do público ou precisa repensar a maneira como apresenta as notícias?
David Denis criou o seu primeiro site em janeiro de 1999; o Cultureba entrou no ar em julho de 2005.
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