A Fórmula 1 voltou à TV Globo, em 2026, depois de cinco anos de transmissões pela Band. A categoria retornou à emissora carioca por meio de um contrato de três temporadas, válido até 2028, firmado com a Liberty Media. Mas a nova estratégia de exibição já começa a provocar questionamentos entre os fãs do automobilismo.

Pelo acordo, a TV Globo transmite 15 dos 24 Grandes Prêmios ao vivo por temporada, enquanto os nove restantes chegam à televisão aberta em horários alternativos, com exibição de compactos. Já o SporTV disponibiliza ao vivo todas as etapas, incluindo treinos, classificações e corridas.

No último domingo, 1º de novembro, o GP do México foi justamente uma dessas provas que ficaram de fora da transmissão ao vivo da TV aberta. A corrida pôde ser acompanhada em tempo real pelo SporTV, enquanto os telespectadores da Globo precisaram esperar pela exibição em compacto, na madrugada de domingo para segunda-feira.

O problema é que a corrida mexicana entrou para a história da Fórmula 1. Kimi Antonelli, piloto italiano da Mercedes, conquistou antecipadamente o título mundial de 2026, aos 20 anos, tornando-se o campeão mais jovem da história da categoria. Ele superou o recorde de Sebastian Vettel, que havia conquistado seu primeiro campeonato aos 23 anos, em 2010.

A conquista aconteceu justamente na 76ª temporada da história da Fórmula 1. Um feito histórico que, ironicamente, ficou longe da transmissão ao vivo na aberta.

A decisão antecipada também acabou tirando parte da expectativa em torno do Grande Prêmio de São Paulo, marcado para este domingo, 8 de novembro, em Interlagos, com transmissão da TV Globo. Chegar à etapa brasileira com o campeonato já decidido não é algo inédito, mas certamente muda o clima da disputa. Afinal, uma das grandes atrações de uma temporada de Fórmula 1 é justamente acompanhar a briga pelo título até as últimas corridas.

Ainda assim, o GP de São Paulo continua tendo importância muito além da disputa pelo campeonato. A realização da prova movimenta o turismo, a rede hoteleira, os restaurantes e diversos setores da economia paulistana, além de colocar a cidade no calendário internacional do esporte.

O que fica como questão para a Globo é como organizará as transmissões nas próximas temporadas. Nos anos 1990, quando algumas corridas aconteciam durante a madrugada, a emissora já recorria aos compactos exibidos na manhã de domingo. A diferença é que, naquela época, o acesso imediato às informações não era tão simples.

Hoje, basta abrir as redes sociais para descobrir o vencedor antes mesmo de a transmissão do compacto começar. E não é raro que o resultado também apareça em reportagens do “Fantástico”, antes de o público da televisão aberta ter a oportunidade de assistir à corrida.

Ter os direitos da Fórmula 1 é uma coisa. Conseguir fazer com que o público acompanhe os momentos históricos da categoria é outra. A Globo recuperou a competição, mas ainda precisa encontrar uma maneira de evitar que os telespectadores da TV aberta sejam sempre os últimos a saber o que aconteceu nas pistas, incluindo o campeão do ano.