
Já virou tradição: praticamente todo dia, um vídeo de alguma discussão na GloboNews viraliza no Twitter (X). Não faltam exemplos para ilustrar o fenômeno. Nesta página, vamos destacar apenas dois, mas bastaria uma rápida busca nas redes sociais para encontrar vários outros episódios.
Mais um dia de clima tenso entre os brothers na GloboNews https://t.co/YzwQqgw4Wc
— Ricardo S (@RickSouza) November 3, 2026
“Você ouviu o Presidente Lula falando sobre isso? Desculpe, eu não ouvi.”
Os entrevistados não podem se intimidar com as manobras pra enfraquecer o Lula.
A Globo precisa entender que jornalismo sério se faz com notícias verdadeiras, e não só com opinião, ainda mais enviesada. https://t.co/2CyzJT0spE— Odete Roitman (@_OdeteRoitman_) November 5, 2026
Às vezes, o bate-boca acontece entre funcionários da própria emissora. Em outras ocasiões, envolve comentaristas contratados pelo canal ou momentos de tensão entre apresentadores e convidados. Mas afinal, por que esse tipo de situação parece ter se tornado tão frequente?
Vou apresentar minha leitura sobre o assunto, a partir da experiência de quem é jornalista e acompanha a GloboNews como assinante desde 1995.
Um dos problemas dos canais de notícias atualmente é passar o dia INTEIRO dando opinião. O jornalismo brasileiro importou um modelo bastante utilizado nos Estados Unidos: manter uma programação ao vivo durante praticamente todo o dia, com apresentadores e comentaristas conversando em estúdio. É uma fórmula que ajuda a reduzir custos, mas que também cobra seu preço editorial.
Seja de direita ou de esquerda, seja GloboNews ou Jovem Pan, o formato se repete: muito bate-papo e, muitas vezes, pouco jornalismo. Faltam matérias, reportagens e equipes nas ruas. Discussões longas podem render momentos interessantes, mas também ocupam um espaço que poderia ser utilizado para mostrar o que realmente está acontecendo fora dos estúdios.
As emissoras argentinas, por exemplo, deram uma aula de cobertura aos colegas brasileiros nas matérias em tempo real sobre a fuga de Flávio Bolsonaro do Brasil. Enquanto isso, fica a pergunta: será que não estamos assistindo a uma programação cada vez mais concentrada em comentar os acontecimentos, em vez de efetivamente mostrá-los?
A GloboNews precisa olhar um pouco mais para o que fazia no começo dos anos 2000, quando apostava em programas temáticos, entrevistas e formatos com identidade própria. Havia mais diversidade de propostas e espaço para conteúdos que tinham algo a acrescentar, em vez de transformar praticamente qualquer assunto em uma interminável conversa de estúdio.
David Denis criou o seu primeiro site em janeiro de 1999; o Cultureba entrou no ar em julho de 2005.
Ator – DRT: 29.837/SP
(Teatro Macunaíma)
Jornalista – MTB: 55.172/SP
(Universidade Anhembi Morumbi)