Já virou tradição: praticamente todo dia, um vídeo de alguma discussão na GloboNews viraliza no Twitter (X). Não faltam exemplos para ilustrar o fenômeno. Nesta página, vamos destacar apenas dois, mas bastaria uma rápida busca nas redes sociais para encontrar vários outros episódios.

Às vezes, o bate-boca acontece entre funcionários da própria emissora. Em outras ocasiões, envolve comentaristas contratados pelo canal ou momentos de tensão entre apresentadores e convidados. Mas afinal, por que esse tipo de situação parece ter se tornado tão frequente?

Vou apresentar minha leitura sobre o assunto, a partir da experiência de quem é jornalista e acompanha a GloboNews como assinante desde 1995.

Um dos problemas dos canais de notícias atualmente é passar o dia INTEIRO dando opinião. O jornalismo brasileiro importou um modelo bastante utilizado nos Estados Unidos: manter uma programação ao vivo durante praticamente todo o dia, com apresentadores e comentaristas conversando em estúdio. É uma fórmula que ajuda a reduzir custos, mas que também cobra seu preço editorial.

Seja de direita ou de esquerda, seja GloboNews ou Jovem Pan, o formato se repete: muito bate-papo e, muitas vezes, pouco jornalismo. Faltam matérias, reportagens e equipes nas ruas. Discussões longas podem render momentos interessantes, mas também ocupam um espaço que poderia ser utilizado para mostrar o que realmente está acontecendo fora dos estúdios.

As emissoras argentinas, por exemplo, deram uma aula de cobertura aos colegas brasileiros nas matérias em tempo real sobre a fuga de Flávio Bolsonaro do Brasil. Enquanto isso, fica a pergunta: será que não estamos assistindo a uma programação cada vez mais concentrada em comentar os acontecimentos, em vez de efetivamente mostrá-los?

A GloboNews precisa olhar um pouco mais para o que fazia no começo dos anos 2000, quando apostava em programas temáticos, entrevistas e formatos com identidade própria. Havia mais diversidade de propostas e espaço para conteúdos que tinham algo a acrescentar, em vez de transformar praticamente qualquer assunto em uma interminável conversa de estúdio.